Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 02/07/2022

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6°, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil. Diante disso, torna-se crucial analisar os fatores que favorecem esse quadro, dentre as quais se destacam a negligência do Estado e o estigma social com idosos.

Em primeira análise, ressalta-se a ausência de medidas governamentais efetivas para combater o analfabetismo entre idosos. Nesse sentido, a falta de uma modalidade de ensino específica para idosos contribui para o cenário, uma vez que, a Educação de Jovens e Adultos (EJA), segundo o IBGE, contempla apenas 3,7% de idoso analfabetas. Essa conjuntura, conforme as ideias do filósofo John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, dado que o Estado não cumpre a função de garantir que os cidadãos desfrutem de seus direitos, como a educação, o que infelizmente é visível ao tratar do ensino para idosos.

Ademais, é igualmente preciso apontar o preconceito contra idosos como outro fator que contribui para a manutenção das dificuldades em alfabetiza-los. Posto isso, de acordo com o filósofo e escrito brasileiro Luiz Felipe Pondé, “a mesma sociedade que, gerou a longevidade, gerou o horror ao envelhecimento’’, o que é notório ao observar a população do país. Diante de tal exposto, o etarismo desmotiva-os a ingressarem em instituições educacionais, já que a sociedade vê-los como incapazes.

Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas eficientes para combater esses obstáculos. Dessarte, a fim de superar os desafios ligados à alfabetização de idosos no país, é imprescindível que o Conselho Nacional de Educação (CNE) – órgão colegiado integrante do Ministério da Educação –, por intermédio de políticas públicas, crie centros educacionais especializados para a faixa etária em questão. Paralelamente, é imperativo que sejam realizadas campanhas municipais para orientar a população no enfrentamento à discriminação etária. Assim, torna-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetividade dos elementos elencados na magna carta.