Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 12/07/2022

No livro “A Mão e a Luva”, Machado de Assis escreve que: “aprender com as letras é bem menos doloroso do que com uma interminável revisão dos seus próprios erros”. Fora da literatura, averigua-se que as palavras machadianas adequam-se sobremaneira à realidade, já que o analfabetismo e seus entraves são problemas contundentes da realidade brasileira. Dentre os grupos que mais sofrem com essa perspectiva, estão os idosos, os quais enfrentam a dupla carga: idade e limitação decodificadora.

Em primeiro lugar, nota-se que o tabu relacionado à terceira idade constitui um desafio à alfabetização. Acontece que o estereótipo de incapacidade associada aos idosos possui tamanha difusão e acepção que culmina na interiorização desse preconceito pelos próprios “velhinhos”. Dessa forma, a subestimação da própria capacidade, ao encontrar alento nas pessoas do círculo de convívio, torna-se uma arma psicológica ao aprendizado. Logo, o desestímulo limita a vontade, o esforço e a busca pelo conhecimento, os quais são reais em um mundo movido pelas tecnologias de informação, as quais tornam a leitura imprescindível.

Em segundo lugar, evidencia-se o desafio relacionado à edificação de uma geração -os atuais idosos-sob a égide da desigualdade. Averigua-se, pois, que a história do Brasil é construída por pobreza e por uma educação elitizada, na qual, as crianças eram vistas pela família como força de trabalho e, portanto, a educação não era prioridade e seu acesso era limitado. Assim sendo, descontruir a percepção de que a alfabetização é promissora em indivíduos que necessitaram trabalhar para sobreviver desde pequenos é uma tarefa difícil. Nessa linha, projetos como o EJA- Educação de Jovens e Adultos-, por mais funcionais que sejam, não conseguem ser estimulantes o suficiente para reparar o déficit dessa mentalidade.

Destarte, ao cabo de superar os desafios para a alfabetização dos idosos, medidas são prementes. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o órgão governamental responsável pelos Direitos Humanos, administrar campanhas nas TV’s e rádios acerca da importância do EJA, desmistificando preconceitos acerca da incapacidade dos mais velhos e incluindo o Ensino Digital na grade curricular a fim de inseri-los efetivamente à sociedade. Com essa atitude, ouvir-se-á o conselho machadiano e prezar-se-á pela vida e saúde de qualidade dos idosos, já que aprender com as letras dói menos.