Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 12/07/2022
Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca da alfabetização dos idosos no Brasil. Esse assunto, infelizmente, tem sido desafiador, devido ao ritmo de vida acelerado e à negligência governamental. Desse modo, é imprescindível refletir e intervir em tais problemáticas em prol da plena harmonia social.
Efetivamente, conforme descrito pela jornalista Eliane Brum, no texto “Exaustos, correndo e dopados”, a sociedade encontra-se em um momento no qual precisa produzir o tempo todo: “24 horas por dia; 7 dias por semana”. Por conta disso, verifica-se que a população, por estar nesse ritmo de vida acelerado, não dá a devida importância à alfabetização de seus familiares idosos, já que não tem tempo para buscar por supletivos – Educação de Jovens e Adultos (EJA). Esse problema faz com que a alfabetização desses idosos fiquem em segundo plano, tornando cada vez mais difícil para os idosos voltarem a estudar por conta da idade avançada.
Além disso, a negligência governamental representa um grande obstáculo para a resolução dos desafios relacionados à alfabetização da terceira idade. Nesse contexto, de acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel”, o Brasil é marcado pela não aplicação prática dos mecanismos legais, como a Constituição de 1988, e pela cidadania apenas no campo teórico. Dito isso, pode-se afirmar que a alfabetização dos idosos vai ao encontro do cenário postulado pelo jornalista. Essa situação ocorre devido ao baixo investimento em profissionais dedicados a educação básica a essa faixa etária. Consequentemente, muitas EJA carecem de um atendimento especializado para idosos, o que dificulta o aprendizado por terem necessidades especiais relacionadas à aprendizagem.
Portanto, cabe ao governo instituir um comitê gestor formado por um representante de cada área – Ministério da Cidadania, Educação e Comunicações. Essa ação se dará por meio de maior direcionamento de verbas para a criação de mais supletivos, viabilizando o acesso ao ensino para idosos que não possuem apoio de seus familiares, para contratação de educadores especializados na aprendizagem da terceira idade e para campanhas informativas acerca da alfabetização dos idosos. Isso será feito a fim de remediar não somente o ritmo de vida acelerado, bem como a negligência governamental.