Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 13/07/2022
Em outubro de 1988, a sociedade conheceu um dos documentos mais importantes da história do Brasil: a Constituição cidadã, cujo conteúdo garante educação a todos. Entretanto, os desafios relacionados à alfabetização dos idosos impede que os brasileiros usufruam desse direito constitucional. Com efeito, a solução do problema pressupõe que se combata não só a invisibilidade dos idosos, também a omissão do estado.
Diante desse cenário, os problemas relacionados à alfabetização fragiliza a dignidade humana da população idosa. Nesse sentido a Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada em 1948 pela ONU (Organização das Nações Unidas) – assegura que todos os indivíduos fazem jus a direitos básicos, a exemplo, direito à educação. Ocorre que, no Brasil, idosos estão distantes de vivenciar o benefício previsto pelas Nações Unidas, sobretudo por conta da educação deficitária. Assim, se a população idosa continuar tratada como invisível, os direitos firmados em 1948 permanecerão como privilégios.
Ademais, a inércia estatal inviabiliza o combate as complicações na alfabetização de idosos. A esse respeito o filósofo inglês John Locke desenvolveu o conceito de “Contrato Social”, a partir do qual os indivíduos deveriam confiar no Estado, que, por sua vez, garantiria direitos inalienáveis à população. Todavia, o descuido com a população idosa evidencia que o Poder Público brasileiro se mostra incapaz de cumprir o contrato de Locke, na medida em que esse problema impacta na saúde da população, já que para o uso de medicamentos, é preciso ler para que saibam o que estão ingerindo. Desse modo enquanto a omissão estatal se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com uma dos mais cruéis mazelas para os idosos.
É urgente, portanto, que medidas sejam tomadas para combater o analfabetismo de idosos. Nesse sentido, as escolas – responsáveis pela transformação social – devem ensinar as vítimas dessa conjuratura, a reivindicar melhorias em relação à alfabetização de pessoas mais velhas, por meio de projetos pedagógicos, como minicursos. Essa iniciativa terá finalidade de romper a inércia do Estado e de garantir que o tratamento digno previsto pelas Nações Unidas deixe de ser, em breve, uma utopia no Brasil.