Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 15/07/2022
O livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, relata o cotidiano de uma família em situação de vulnerabilidade, onde as dificuldades de renda impossibilitaram o desenvolvimento na educação, já que não sabem ler e escrever. Análogo ao livro, está a realidade do Brasil, onde a dificuldade de compreender e grafar a língua portuguesa, seja pela falta de escolaridade, analfabetismo ou analfabetismo funcional, ainda se revela em números elevados entre os maiores de 60 anos. Urge, dessa forma, avaliar os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no país.
Nesse cenário, é importante notar que o descaso estatal torna-se um obstáculo para a alfabetização de indivíduos em idades avançadas. Isso porque há uma falta de incentivo, de investimentos em infraestrutura e de reconhecimento de especificidades do público alvo por parte do Governo. Dessa maneira, para o sociólogo polônes Zygmunt Bauman, o Poder Público seria descrito como “Instituição Zumbi”, o qual não desempenharia seu papel institucional, que seria de garantir o acesso a educação visando o pleno desenvolvimento da pessoa.
Em uma segunda análise, vê que a desigualdade social e o preconceito são desafios para a alfabetização de idosos. Essa questão se justifica pois, em classes menos favorecidas não há uma valorização da educação, pela necessidade de ter que iniciar jornadas de trabalho muito jovem, além da existência de julgamentos a idosos que desejam mudar sua situação educacional. Tal realidade foi exposta no filme “Uma lição de vida”, onde um senhor de 84 anos retorna à escola com o desejo de aprender a ler, mas ele e os que o apoiam recebem críticas e ameaças.
Portanto, ao entender os elementos do vigente problema cabe ao Ministério da Educação, por ser responsável pelas políticas públicas voltadas ao cenário da educação, elaborar medidas para minimizar os desafios da alfabetização dos idosos. Isso poderá ser colocado em prática com a criação de uma comissão de fiscalização do correto direcionamento de verbas para criação e extensão de projetos de acesso e inclusão dos idosos à educação. Tudo isso será feito com a finalidade de oferecer uma poderosa ferramenta para formação crítica dos idosos, para que tenham condições em manter-se ativos e com maior inserção social.