Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 18/07/2022

“Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também a alfabetização dos idosos no Brasil, ainda que negligenciada por parte da sociedade. Nesse sentido, a fim de transpor os desafios relativos à essa temática, é importante analisar a negligência estatal e a desigualdade social.

Inicialmente, é necessário destacar a forma como o Estado costuma lidar com a alfabetização de idosos. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas para a aplicação do artigo 6º da “Constituição Cidadã”, que garante, entre tantos direitos, a educação.

Isso é perceptível seja pelo alto número de idosos analfabetos funcionais, seja pelo baixo número de instituições alfabetizadoras para indivíduos com mais de 60 anos. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de garantir o combate analfabetismo.

Outrossim,deve-se salientar que o histórico de pobreza e desigualdade social presentes entre os maiores de 60 anos no Brasil contribui para a problemática.

Para entender tal apontamento, é justo relembrar o que esses indivíduos nasceram entre as décadas de 40 a 60 enfrentando, assim durante os anos iniciais da sua vida uma época de extrema desigualdade social onde somente alguns indivíduos conseguiam ir à escola. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a pobreza e desigualdade contribuem para dificuldade de acesso à educação, uma vez que há desvalorização da educação em populações menos favorecidas.

Frente a tal problemática, faz-se urgente, que o Ministério da Educação, porque é o ramo do Estado responsável pela formação civil e educacional, ampliar o projeto educacional ‘‘EJA’’(Educação de Jovens e Adultos) com o intuito de torná lo mais atrativo para os idoso que não sabem ler nem escrever, por meio de atendimentos mais individuais e bolsas de estudo a fim de diminuir o número de analfabetos.