Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 26/07/2022
Nos últimos anos, a diminuição nas taxas de analfabetismo brasileiras tiveram a redução creditada, majoritariamente, ao falecimento de idosos. Essa realidade, certamente, é reflexo da carência de subsídios governamentais destinados à educação, sendo difícil identificar esforço suficiente na promoção da alfabetização dos idosos no país. Diante disso, cabe analisar as principais causas e efeitos desse cenário: o passado nacional e a consequente exclusão social da parcela mais velha da população.
Em primeiro plano, a origem do problema é encontrada nas antigas leis e costumes do Brasil. Com destaque, no passado rural - a população urbana começou a sobrepor-se apenas recentemente, em 1950. Assim, o trabalho infantil era comum, ao passo que o acesso à escola era raro e pouco valorizado. Ainda, a educação foi reconhecida como direito de todos e dever do Estado apenas com a Constituição de 1988, 34 anos atrás. Dessa forma, verifica-se a precedência da insuficiência educacional na terceira idade (segundo o IBGE, mais da metade dos analfabetos no Brasil têm 60 anos ou mais), com a possibilidade adicional de um recorte econômico, com base no domínio latifundiário histórico das terras e trabalhadores brasileiros.
Em segunda análise, é importante perceber a exclusão dos idosos como resultado desse cenário. Da segunda metade do século XX até os dias de hoje, a comunicação escrita ultrapassou, no Brasil, a finalidade prática, e tornou-se instrumento essencial à garantia de direitos básicos. Rótulos de produtos, documentos e receitas médicas são alguns exemplos de sua aplicação, além da obtenção de informações de qualquer natureza, por meio digital ou não. Não suficiente, o aspecto de formação cultural da escolarização é inegável, contribuindo a falta dela à marginalização de pessoas idosas, que são privadas da inserção em atividades sociais e alvos de preconceito. Nesse sentido, fica clara a necessidade de alfabetização dos idosos no país.
Sob esse panorama, para superar tal desafio, a ação do Estado é fundamental. Cabe ao Ministério da Educação a criação de centros de alfabetização gratuita, destinados a indivíduos de 60 anos ou mais, por meio da imposição da obrigatoriedade na disponibilidade de, pelo menos, 10% dos espaços de escolas particulares e públicas, para inserção de profissionais capacitados na educação de idosos. Com isso, objetiva-se a democratização do acesso à educação para pessoas mais velhas e diminuição das taxas de analfabetismo desse grupo. É relevante, ainda, facilitar processos básicos que exigem leitura ou escrita, mediante políticas de inclusão realizadas pelo Governo Federal em áreas como saúde e lazer.