Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 29/07/2022
Segundo a Constituição brasileira de 1988, a família e o Estado tem o dever de amparar as pessoas idosas, garantindo sua participação na sociedade, preservando sua dignidade e seu bem-estar. Nesse sentido, refletir sobre os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil é imprescindível, uma vez que o preconceito histórico e a falta de programas voltados para a educação desse público impedem uma melhor inclusão no corpo social.
Em primeira análise, na Grécia Antiga, os homens de idades mais avançadas eram donos do poder, da sabedoria e experiência. Por outro lado, a realidade nos dias atuais vem se distanciando do mundo antigo, já que envelhecer virou sinônimo de não ser capaz, ficar inútil. A exemplo disso, muitas expressões e palavras relacionadas ao termo “velho” tornaram-se pejorativas e ofensivas, o que só fortalece esse sentimento de discriminação e de exclusão dessas pessoas na comunidade. Nesse contexto, o gerontologista Robert Butler, criou a expressão “Ageísmo” (prática de aversão baseada em esteriótipos relacionados a uma certa idade), que vem afetando principalmente o público idoso.
Outrossim, é fato que o povo brasileiro têm atingido idades mais avançadas conforme o tempo passa. Dentro dessa perspectiva, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o número de analfabetos acima de 60 anos é de 18% no Brasil. Desse modo, em uma sociedade que privilegia destreza e força física, programas como o “Brasil alfabetizado” - incentivo à busca pela educação em qualquer idade - não são trabalhados mais, além do esquecimento das limitações que a idade traz e a Educação de Jovens e Adultos que não disponibiliza flexibilização de horários.
Desta feita, a real necessidade de ações governamentais movidas pelo Estado, juntamente com o Ministério da Educação, faz-se no direcionamento de verbas na organização de campanhas veículadas pela mídia - TV, rádio, redes sociais… - que reativem o projeto “Brasil alfabetizado”. Ademais, garantir cursos especializados para professores do EJA, para que tenham maior atenção ao lidar com esses alunos e disponibilizar dois horários para escolha pessoal do idoso, assim, cumprindo com o que foi previsto na Constituição e certificando-se da inclusão social.