Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 20/08/2022

A ordem constitucional vigente, inaugurada em outubro de 1988, guia-se pelo propósito de construção de uma sociedade livre, justa e solidária, de modo a assegurar o bem-estar social, a igualdade e a justiça como valores supremos. Contudo, mesmo diante desses preceitos da Constituição Federal, bem como do direito à educação e à cidadania, o analfabetismo da população idosa ainda persiste. Com efeito, a fim de se mitigar a problemática, há de se descontruir o etarismo, bem como a negligência estatal.

Diante desse cenário, Paulo Freire – expoente educador brasileiro – disserta que devemos plantar a semente da educação para colher os frutos da cidadania. Nesse sentido, é possível afirmar que parcela da população analfabeta, sobretudo a idosa, não desfruta da plena cidadania. Nesse viés, esse panorama de privação da educação aos idosos é reforçado pelo estigma de invalidez física e mental desse tecido social: o etarismo. Portanto, é contraditório que, mesmo sendo uma nação pós-moderna, a situação supracitada ainda seja realidade no país.

Outrossim, de acordo com dados do IBGE, mais de 5 milhões de idosos são analfabetos em 2022. Acerca dessa lógica, entende-se que a negligência estatal perante a problemática, evidenciada pela falta de políticas públicas de incentivo à alfabetização da terceira idade, fomenta a exclusão social desse grupo. Nessa perspectiva, embora exista o Ensino para Jovens e Adultos (EJA), a adesão do público acima dos 60 anos ainda é incipiente. Logo, não é razoável que o analfabetismo permaneça em um país que almeja tornar-se nação desenvolvida.

Destarte, urge que essa situação seja mitigada no Brasil. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação (MEC) o incentivo ao letramento dos idosos por meio de investimento em melhorias no EJA, como a ampliação do quadro de professores e aumento na disponibilidade de vagas, com o fito de aperfeiçoar o programa. Ainda, compete ao MEC a promoção de campanhas midiáticas, televisivas e de radiodifusão incentivando a procura pelo programa. Essa ação poderia se chamar “Ainda dá tempo” e seria a fim de fomentar o interesse na alfabetização tardia. Desse modo, o analfabetismo dos idosos deixará de ser um desafio, e os direitos assegurados pela Carta Magna serão, enfim, respeitados.