Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 21/08/2022

Embora o Estatuto do Idoso, em seu artigo 3º, estabeleça como dever da socieda-de e do poder público assegurar ao idoso o direito à educação, observa-se, parado-

xalmente, que isso não ocorre. Tal fato se deve, entre outros fatores, à marginaliza-ção somando ao preconceito relacionado a esse grupo social e à ineficiência do a-

parato estatal no que se refere ao fomento da educação senil. Desse modo, os obs-

táculos relativos à efetivação da alfabetização de idosos são agravados.

Incipientemente, deve-se destacar o conjunto social como entrave nessa situação, haja vista que os proconceitos enraizados sobre o público idoso comprometem o seu acesso à educação. Nesse sentido, cabe referenciar o conceito de Invisibilidade Social, da filósofa Simone de Beauvoir, que consiste na afirmação de que alguns grupos são segregados socialmente por serem considerados vulneráveis ou inferio-

res. Dessa forma, ao considerarem incapazes as pessoas da chamada “terceira ida-

de”, sobretudo devido à falsa crença de que o avanço da idade suscita a perda da funci-onalidade cerebral, a sociedade compromete o acesso dessas pessoas à edu- cação e, por conseguinte, à afabetização, dado que não os incentivam e apoiam.

Paralelamente, a improficiência do Estado corrobora a problemática, visto que a falta de estímulo dado aos idosos, principalmente devido à ausência de políticas públicas educacionais que associem alfabetização e velhice dificulta o aprendizado da leitura e escrita. Assim, percebe-se que o Estado não cumpre sua função e vai de encontro à própria Constituição Federal, a qual prevê, nos artigos 205 e 206, o direito à educação e o ensino baseado na igualdade de condições. Consequente-mente, persiste o analfabetismo em meio ao grupo senil, fato confirmado por da-

dos do IBGE, dos quais infere-se que quase 20% do público de 60 anos é analfabeto

Portante, é visível a imprescindibildiade de ações que garantam o previsto no Es-tatuto do Idoso. Por essa razão, faz-se necessário que o Governo Federal promova o acesso à educação por meio da disponibilização de cursos gratuitos e de curta duração, destinados à alfabetização, que devem ser ministrados por profissionais capacitados a dar aula para o público senil. Objetiva-se, com tal ação, reduzir as ta-xas de analfabetismo nessa faixa etária e promover o acesso à escrita e leitura pelos idosos no Brasil.