Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 08/09/2022

De acordo com os indígenas, os mais velhos sempre devem ser reverenciados. Considerados os líderes das tribos, os idosos são bastante valorizados como geradores da vida. Contudo, isso coexiste no Brasil com uma cultura que não respeita seus idosos, realidade evidente nos degradantes desafios relacionados à sua alfabetização. Entre esses empecilhos, destacam-se a irresponsabilidade estatal com a educação do país e o desconhecimento de instituições remediadoras deste déficit por parte da população.

Como supracitado, as autoridades brasileiras, desde o período colonial, negligenciam o ensino formal, pois naquela época, as famílias mais ricas enviavam seus herdeiros para estudar na Europa, pela falta de escolas de qualidade no Brasil. Por culpa dessa incrível omissão estatal, a pátria amada poderia ter perdido seu maior escritor, Machado de Assis, que, sendo filho de um pintor, precisou tornar-se autoditada para aprender a ler. Assim, a herança colonial do analfabetismo perdura até os dias atuais e era ainda mais presente na infância dos avós que, até hoje, não sabem ler ou escrever.

Ademais, a desinformação relacionada às instituições responsáveis por educar os mais velhos é outro obstáculo para o enfrentamento do analfabetismo. Escuta-se falar com frequência de várias siglas da educação, como “Enem” e “MEC”, porém o “EJA” (Educação de Jovens e Adultos) permanece “na sombra”, sem divulgação. Prova disso é Laíz Marinho, 71 anos, que, tendo crescido analfabeta, só descobriu o EJA aos 33 anos, não por anúncios ou por políticas públicas, mas através de amigas. Caso esse programa recebesse a atenção que merece, provavelmente Dona Laíz teria conseguido voltar a estudar mais cedo.

Logo, é necessário que o Estado brasileiro pare de tratar a educação como privilégio, ao invés do direito que ela é, e que a garanta aos seus idosos, com o efeito de respeitá-los tal qual as sociedades indígenas. Para tanto, o Ministério da Educação deve fortalecer, por meio da orientação de professores a fim de desenvolverem paciência e empatia, a estrutura do EJA, conseguindo manter os idosos na alfabetização. Além disso, ele deve divulgar, por meio de campanhas televisivas, em razão de seu amplo alcance, mais informações sobre o EJA.