Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 25/09/2022

De acordo com o conceito de “banalidade do mal”, trazido pela filósofa Hannah Arednt, quando uma atitude hostil ocorre constantemente, a sociedade passa a vê-la como banal. Na realidade brasileira, isso pode ser observado na medida em que a indiligência estatal e o silenciamento midiático configuram desafios para a alfabetização de idosos. Dessa maneira, faz-se imprescindível remediar esse imbróglio em prol da plena harmonia social.

Nota-se, a princípio, que existe um descaso governamental em relação à políticas assistencialistas que corroborem a alfabetização de idosos periféricos. Nesse sentido, no seriado nacional “3%”, é retratado um futuro distópico em que o Estado só garante dignidade humana aos habitantes do Maralto, onde mora 3% da população. A ficção se aproxima da realidade, no contexto brasileiro, uma vez que os direitos previstos na Constituição de 1988 não são efetivados para todos os cidadãos na prática. Esse fato é demonstrado mediante a passividade dos aparatos legais no que tange à elaboração de auxílios financeiros para indivíduos acima de 60 anos que são impossibilitados de retomar os estudos devido à necessidade de labor integral. Logo, é possível inferir que a marginalização dos direitos à assistência e à educação são agravantes para o anafalbetismo da terceira idade.

Cabe mencionar, em segundo plano, que conforme o filósofo Pierre Bordieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. A mídia, segundo ele, é um desses instrumentos, mas em vez de promover debates sobre o analfabetismo, influencia o silenciamento do problema, já que não denuncia em programas e novelas - de maior audiência - como não saber escrever e ler reforça o ciclo da pobreza. Desse modo, depreende-se que o idoso iletrado permanece negligenciado, pois não tem acesso à informação formal, o que causa o desconhecimento dos seus direitos.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação criar políticas de incentivo a inserção de anciões não alfabetizados ao EJA - programa supletivo de Educação de Jovens e Adultos. Isso se dará, por meio da criação de bolsas, com objetivo de suprir a necessidade de trabalho em tempo integral desses indivíduos. Com essa medida, seria possível contrapor o elucidado por Hannah Arendt.