Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 19/10/2022

No livro “Cidadão de Papel”, Gilberto Dimenstein ilustra a maneira com que os direitos são garantidos constitucionalmente, embora não ocorram na prática. Distante das páginas da obra, no entanto, tal cenário permanece, pautado, por exemplo, nos desafios para a alfabetização dos idosos no Brasil. Infere-se, sob esse viés, que a perpetuação da problemática acarreta inúmeras mazelas, como uma ameaça à democracia e a invisibilidade de grupos sociais minoritários.

A priori, vale ressaltar a gravidade do assunto. Em conformidade com a Constituição Federal de 1988, a educação é, de fato, uma prerrogativa assegurada integralmente aos cidadãos. Contudo, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, aproximadamente seis milhões de idosos são analfabetos. Esses números vão de encontro ao que diz a Carta Magna, evidenciando, dessa forma, a coação democrática. Isso ocorre porque, conforme o conceito de “cidadania multilada” elaborado por Milton Santos, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social.

Além disso, o ocultamento dessa parcela da sociedade é, decerto, outro problema proveniente da dificuldade para a alfabetização dos idosos. No filme “Central do Brasil”, Dora ganha a vida escrevendo cartas para aqueles que não conseguem, ficando com o dinheiro ainda que não envie as correspondências. Longe da ficção, porém, a situação continua, uma vez que a falta de habilidade com a escrita desencadeia, mesmo que indiretamente, dependência de terceiros por parte dos mais velhos.

Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Com o intuito de atenuar os efeitos negativos do tema sob a população, bem como certificar o exposto nas páginas da Constituição Cidadã, é dever do Ministério da Educação, por meio da implementação gratuita de programas de alfabetização nas escolas públicas, promover o incentivo aos estudos. Ademais, cabe à mídia divulgar a importância do letramento, visando encorajar os idosos. Só assim a humanidade deixará de ser um exército de cidadãos de papel e poderá, enfim, evoluir.