Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 19/10/2022

Na célebre obra cinematográfica “Eu me importo”, é retratada a história de idosos que perdem o direito sobre seus bens para cuidadores legais, respaldados pela justiça americana, por serem de idade avançada ou não possuírem o conhecimento básico. Nesse contexto, analogamente ao retratado na ficção, brasileiros da terceira idade são cruelmente privados de seus direitos básicos por não possuírem a miníma alfabetização. Isso ocorre ora pela ausência de políticas públicas, ora pela mentalidade social coletiva.

Em primeiro lugar, a falta de incentivo governamental agrava as barreiras para ensinar os mais velhos. Para o filósofo Rosseau “o Estado se responsabiliza pelo estabelecimento de condições básicas promovendo, por conseguinte, o bem-estar do âmbito populacional”. Sob essa ótica, diferentemente do pensamento apresentado, o governo brasileiro falha de maneira grave em promover uma maior inclusão educacional da terceira idade, com baixos investimentos para essa demanda e ausência de profissionais qualificados. Dessa maneira, os obstáculos enfrentados por idosos na alfabetização tornam-se maiores.

Além disso, a falta de empatia na sociedade, fruto de uma mentalidade egoísta, acarreta um desafio maior para a inclusão escolar de pessoas com idade avançada. Nessa perspectiva, Émile Durkheim ressalta que “a solidariedade social é fruto da consciência coletiva”. Desse modo, a manutenção de estigmas associados ao retorno de idosos às salas de aula prejudica o acesso à alfabetização dos mesmos.

Portanto, medidas precisam ser tomadas a fim de suprimir os desafios mencionados. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas educacionais do país, destinar maiores recursos para a educação de idosos, por meio de resoluções internas, para que haja um maior número de centros de ensino para adultos e capacitação de profissionais. Paralelamente, as mídias, como a televisão e redes sociais, devem promover ações, por meio de campanhas, para que as pessoas tomem conhecimento de tal problemática e passem a pensar no próximo com compaixão. Com isso, a supressão de direitos básicos dos idosos será restrito à ficção como em “Eu me importo”.