Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 20/10/2022

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a alfabetização dos idosos no Brasil, dificultando a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que a ausência de medidas governamentais para combater os desafios da alfabetização dos idosos contribui para a permanência desse cenário. Nesse sentido, a falta de investimentos do estado na educação da população longeva contribui para a manutenção do problema, visto que diversos idosos não conseguem ter acesso a um ensino de qualidade. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a desigualdade social como impulsionador desses desafios. Nesse contexto, o histórico de pobreza do país em décadas anteriores, levaram os jovens a abandonar os estudos para conseguir trabalho, o que dificultou a sua formação escolar, ocasionando em adultos e posteriormente idosos analfabetos. Apesar de ocorrer um acréscimo de idosos no ensino médio segundo a pesquisa realizada pelo Sesc São Paulo, ainda são poucos os recursos disponíveis para auxiliar essa parcela da população, evidenciando um crescimento lento e tardio.

Depreende-se, portanto, a necessecidade de combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação - orgão do governo federal - , disponibilize aulas gratuitas em todas as regiões para os idosos, através da criação de novas escolas, a fim de reduzir os desafios da alfabetização dessa parcela da população. Assim, se consolidará uma sociedade com maior acesso à educação, onde o estado desempenha corretamento o seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.