Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 24/10/2022
A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro, assegura o acesso a educação como direito inerente a toda a população. Entretanto, esse direito nem sempre é colocado em prática, uma vez que a analfabetização da população idosa advém, sobretudo, do trabalho precoce atrelado a falta de condições financeiras, ocasionando o isolamento social e uma substancial redução na qualidade de vida dessa parcela da população.
Sob esse prisma, infere-se que a falta de recursos financeiros que possibilitem o ingresso da camada de idosos não-alfabetizada em instituições escolares está relacionada, muitas vezes, com a entrada precoce destes no mercado de trabalho, o que direciona a uma vida de poucas oportunidades de ascensão, tendo em vista a baixa escolaridade. Somado a isso, a estigmatização da aderência tardia ao processo de estudo acaba por corroborar gravemente com a problemática.
Ademais, o isolamento social promovido pela dificuldade de inclusão, em virtude do analfabetismo, em veículos de comunicação muito usuais hodiernamente, tais como as mídias sociais, coloca em risco o exercício pleno de direitos, tendo em vista que, segundo o falecido sociólogo Betinho, a educação é um dos pilares para a garantia da democracia. Consequentemente, a ameaça ao exercício desta corrobora também para a perda da qualidade de vida de tal parcela da população, uma vez que torna-se mais difícil a busca e reconhecimento dos direitos que concernem à cidadania e são assegurados por lei.
Medidas, portanto, devem ser tomadas para garantir pragmaticamente o acesso a educação, como preconiza a Carta Magna Brasileira. Dessa forma, o Ministério da Economia, em conjunto com o Ministério das Comunicações, deve realizar paralelamente, ações afirmativas a todos os idosos sem alfabetização, por meio de uma recompensação monetária a fim de incentivar e tornar possível o retorno estudantil desse contigente menos abonado, bem como a promoção de informativos veiculados através dos meios de comunicação mais abrangentes com o objetivo de desestigmatizar a conclusão tardia dos estudos.