Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 08/11/2022
Ulisses Guimarães, participante da Assembleia Constituinte, ao promulgar a Constituição Federal em 1988, fez um discurso com a promessa de tornar a Carta Magna a voz da sociedade rumo à mudança, pois trazia a garantia de que todos são iguais perante a lei. No entanto, no que diz respeito a alfabetização de idosos, vê-se que ainda é uma questão preocupante e que a sua falha impede essa fatia da população de alcançar os seus direitos básicos. Nesse contexto, entende-se que é necessário um maior envolvimento do poder público em captar essa população, bem como desenvolver um ensino especial para esse grupo-alvo.
Primeiramente, é importante destacar que a negligência do Estado em fazer um eficiente rastreamento dessa população, torna difícil o acesso desses idosos à educação. Isso ocorre porque o analfabetismo dificulta em grande parte a comunicação e, logo, prejudica o acesso à informação sobre a importância da escolaridade. Essa conjuntura, segundo o contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os idosos desfrutem de direitos indispensáveis como a educação.
Paralelamente, esse idosos possuem negado o seu direito a uma vida digna, com consequente situação de vulnerabilidade. É notório que a falta de alfabetização dificulta o acesso a outros direitos como saúde e transporte, por ser a palavra escrita muito utilizada nos meios de comunicação, o que pode marginalizar esses idosos, deixando-os alheios as suas necessidades básicas do dia-a-dia. Assim, educadores dessa faixa etária precisam fornecer uma educação especial e um acompanhamento individual. A alfabetização precisa ir além do mero aprendizado de ler e escrever, mas também fornecer conteúdos que envolvam a comunicação da sua rotina, no intuito de estimular a sua autonomia e autoestima.
Portanto, o Estado deve, por meio de programas sociais, como a Estratégia de Saúde da Família, mediante visitas domiciliares dos agentes comunitários de saúde, buscar identificar os idosos analfabetos. Por outro lado, o governo deve promover a capacitação gratuita de professores e pedagogos, por meio de cursos, com o intuito de instruir sobre a educação nessa faixa etária. Então, será possível que idosos desfrutem de forma mais plena dos seus direitos na Constituição.