Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 03/05/2023
Apesar do entendimento comum de que a alfabetização é crucial para a participação na sociedade, certas parcelas da população ainda são consideradas iletradas. É o caso, por exemplo, de muitos idosos no Brasil. Entre os desafios associados a essa questão, têm-se o próprio desinteresse desses brasileiros pela musca da literacia; além das barreiras morais geradas pelo etarismo, prevalentes no juízo popular. A partir do contexto apresentado, reconhece-se a necessidade de superar tal realidade.
Introdutoriamente, segundo dados o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), percebe-se que a longevidade dos brasileiros aumentou: é apontado que, entre 1940 e 2020, a expectativa de vida aumentou em 30 anos. Ainda segundo o IBGE, os índices de literacia também aumentaram no mesmo intervalo. Contudo, despertar o interesse dos idosos pela literacia ainda é algo desafiante. Por exemplo, a habilidade de interpretar textos, menos relevante nos anos de formação dessa população, tornou-se essencial para acessar benefícios previdenciários; sendo assim definidora da vida contemporânea. É preciso, portanto, que os desafios gerados pelas transformações da sociedade brasileira sejam considerados nessa discussão.
Nesse contexto, fazem-se relevantes as ideias de Cícero, notório crítico da discriminação etária e defensor da busca pela virtude na senioridade, em atividades de benefício individual e coletivo. Através de ideias como as do filósofo, é possível desmistificar ideias equivocadas sobre os idosos, como a incapacidade destes em adquirir novas habilidades. É o que garante, por exemplo, que se tornem inaceitáveis medidas como a “Lei da Bengala” que, durante a ditadura militar, desconsiderou as habilidades intelectuais dos idosos ao instituir nessa classe a aposentadoria compulsória. Assim, nota-se a importância de ruir com barreiras morais que obstruam a garantia da literacia entre a população idosa.
Logo, o poder público e a sociedade civil devem somar esforços para incentivar a alfabetização entre os idosos. Cabe ao Estado – principal transformador social – mediar campanhas de conscientização nas áreas com maiores números de iliteracia entre a 3ª idade. Além disso, a fim de alcançar a conscientização geral, os jovens brasileiros devem procurar trabalhos críticos à discriminação etária, como os de Cícero. Em conjunto, tais medidas devem incentivar o letramento da população sênior, consequentemente protegendo seus direitos civis.