Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 03/05/2023

Na obra “As cidadanias multiladas”, o geográfo brasileiro Milton Santos afirma que a democracia só é efetiva quando atinge toda população. Entretanto, os desafios relacionados a alfabetização dos idosos distanciam o país desse ideal democrático. Nesse sentido, tanto a negligência estatal quanto a desigualdade social são fatores que propulcionam esse cenário hostil.

Sob esse viés analítico, a negligência do Estado perante a alfabetização de idosos é um desafio persistente no corpo social. Diante disso, a Constituição de 1988 busca garantir o acesso a direitos básicos, como a educação, a todos os cidadãos. Contudo, a inoperância do Estado quanto à programas educacionais direcionados a população idosa demonstra que esses direitos não são devidamente concedidos — materializando desafios para o fim do analfabetismo funcional de idosos. Dessa forma, torna-se necessário ações governamentais que evitem essa falha constitucional.

Ademais, a desigualdade social é um desafio que colabora com essa problemática no país. Nesse contexto, segundo dados do Laboratório das Desigualdades Mundiais, o Brasil está entre os paises mais desiguais do mundo. Em análise disso, a desigualdade presente na sociedade brasileira limita a educação às classes favorecidas, estruturando óbices na alfabetização de diversos cidadãos, principalmente de idade elevada. Assim, nota-se que a minimização da desigualdade social é indubitável para a melhor alfabetização de idosos no Brasil.

Portanto, evidencia-se a necessidade de medidas que solucionem os desafios relacionados a alfabetização de idosos no Brasil. Por essa ótica, cabe à Mídia— veículo de alta abrângencia— cobrar do Estado, por meio de comerciais críticos, a promoção de projetos educacionais em favor da alfabetização dos idosos, a fim de garantir a educação completa à essa minoria. Além disso, cabe ao Ministério da Educação— órgão responsável pela educação brasileira— disponibilizar maior acesso a educação para as classes desfavorecidas, por meio do EJA (Educação de Jovens e Adultos), a fim de garantir a alfabetização à toda população, inclusive a idosa. Com isso, a democracia brasileita atingirá todo corpo social, aproximando-se cada vez mais do ideal democrático proposto por Milton Santos.