Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 01/07/2023

Na obra “Cidadão de papel” escrita por G. Dimestein, o indivíduo que possui uma cidadania aparente é um cidadão de papel, pois os direitos que ele possui não são postos em prática. Assim, é perceptível que a sociedade brasileira é uma amostra da situação relatada pelo escritor. Exemplo disso é a Constituição Federal de 1988, que assegura que é dever do Estado garantir educação de qualidade a todos. Porém, esse direito não é usufruido por parte do corpo social brasileiro, como a porção idosa. Esse problema é dado pela negligência estamental acerca do tema e pela normalização da ausência de educação formal para este grupo.

Segundo o sociólogo Z. Bauman, uma instituição que, apesar de existir, não exerce suas funções de forma plena é caracterizada como zumbi. Nesse sentido, o Estado brasileiro pode ser caracterizado com tal, pois, de acordo com o iluminista J. Locke, é dever do Estado garantir o bem-estar social. Entretanto, seguindo a ideia do filósofo Pitágoras de que é necessário educar a população para que não seja necessário castigá-la, o dever idealizado por Locke não é exercido no país, já que existe uma deficiência na educação que comprova a existência de uma instituição zumbi que dificulta a alfabetização dos idosos brasileiros e de uma negligência estamental acerca do tema.

Ademais, na filme “Escritores da liberdade”, é retratado que uma parte da sociedade enfrenta desafios para ter acesso à educação qualificada, como o preconceito enraizado na nação, o que acaba os desestimulando a seguir o ramo da educação. Apesar de ser uma obra cinematográfica estadunidense, é possível perceber semelhanças entre a obra e a realidade social brasileira, na qual os idosos enfrentam a discriminação. Assim, a mudança do pensamento coletivo sobre o assunto é necessária, visto que o filósofo Rousseau relata que o homem nasce livre e a sociedade o corrompe.

Portanto, medidas devem ser tomadas para que os desafios relacionados à alfabetização no Brasil sejam minimizados. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação, por meio de um debate entre Estado, sociedade civil e profissionais da área, lançar um projeto de ampliação da Educação para Jovens e Adultos (EJA), a fim de fazer com que mais idosos tenham acesso à educação de qualidade. Ademais, o Governo Federal, por meio do Ministério da Comunicação, deve realizar campanhas a fim de reduzir o preconceito acerca das pessoas que desejam iniciar os seus estudos de maneira tardia para que, dessa forma, eles não sintam-se estimulados a desistir de estudar.