Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 10/09/2023

A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito a educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no brasil, dificultando, deste modo a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Nessa linha de raciocínio, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a falta de acessibilidade a recursos de aprendizado. Nesse sentido, muitos idosos não têm acesso a recursos educacionais adequados, como escolas de alfabetização para adultos. Além disso, a acessibilidade a materiais de ensino em formatos adaptados, como letras ampliadas para quem tem problemas de visão, é frequentemente insuficiente. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar o preconceito e estigma como fator que pode desencorajar os idosos a buscarem a educação. O medo do julgamento social pode ser um obstáculo significativo para aqueles que desejam aprender a ler e escrever. Muitos também acreditam que passaram da idade do aprendizado, sentindo vergonha de buscar a educação em uma idade tão tardia. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo Federal, órgão de suprema autoridade no país, por meio de investimentos em políticas públicas que priorizem a educação de idosos, incluindo programas de alfabetização adaptados às suas necessidades no país, a fim de um espaço amigável e incentivador para que pessoas idosas possam aprender sem temer a preconceitos. Assim, se consolidará uma sociedade mais acolhedora tal como afirma John Locke em seu “contrato social”.