Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 29/09/2023
“O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Essa afirmação, a-tribuída ao filósofo Immanuel Kant, pode ser facilmente aplicada aos desafios rela-cionados à alfabetização dos idosos no Brasil, já que se observa como o indivíduo sem educação seria fatalmente excluído do processo civilizatório. Desse modo, a-gravam o quadro central os estigmas sociais e as barreiras de mobilidade.
Nesse contexto, é evidente que os desafios relacionados à alfabetização de idosos são agravados pela persistência de estigmas sociais que envolvem a capacidade de aprendizado na terceira idade. Visto que Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que uma parcela considerável de idosos no país ainda é analfabeta ou possui baixa escolaridade, sendo que muitos deles viveram em épo-cas em que o acesso à educação era limitado. Dessa forma, esses idosos muitas vezes enfrentam estigmas que questionam sua capacidade de aprender e se adap-tar às novas tecnologias e modos de comunicação, ao que desencoraja o interesse pela alfabetização e dificulta o acesso a programas de educação para adultos.
Além disso, as barreiras de mobilidade são outros fatores que cristalizam ainda mais essa conjuntura. Isso ocorre, pois uma parcela significativa da população ido-sa reside em áreas rurais ou em regiões afastadas dos centros urbanos, onde a oferta de programas educacionais é limitada, conforme dados do IBGE. Diante dis-so, problemas de mobilidade física devido a condições de saúde ou falta de infra-estrutura adequada, podem dificultar o acesso a aulas de alfabetização presenciais. Por isso, torna-se essencial o desenvolvimento de iniciativas de alfabetização que sejam adaptadas às necessidades dos idosos em sua totalidade.
Portanto, diante da situação exposta, o governo federal, através do Ministério da Educação, deve, por meio da ampliação da Educação de Jovens e Adultos (EJA), in-centivar e facilitar o acesso da terceira idade aos estudos. Isso incluirá a promoção de campanhas nas mídias, a fim de conscientizar a sociedade sobre a importância da alfabetização desses indivíduos e incentivar o aprendizado ao longo da vida. Além disto, deve reestruturar o método e as estruturas de ensino, ao considerar as necessidades específicas e as limitações cognitivas dos idosos. Assim, criará uma sociedade sem estigmas e com suportes adequados que os apoiem nos estudos.