Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 01/11/2023

Desde 1988, a Constituição Federal garante o direito à educação de qualidade para todos os cidadãos, a fim de promover o bem-estar social e a integridade coletiva. No entanto, no hodierno contexto nacional a realidade difere do exposto na legislação, principalmente em função dos desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil. Isso ocorre em razão das dificuldades no aprendizado e tem como grave cosequência o impedimento da isonomia social.

Antes de tudo, é preciso observar características do aprendizado. A esse respeito, o sociólogo Pierre Bourdieu expõe, em seu conceito de Hábitus Primário, como os períodos da infância e adolescência são fundamentais para a aquisição de conhecimentos que serão perpetuados durante a vida adulta. Nesse contexto, os desafios relacionados à alfabetização dos idosos encaixam-se na teoria do autor, uma vez que, se uma criança cresce sem acesso à escola e ao letramento, esse indivíduo em formação tende a ter dificuldades para adquirir tais habilidades posteriormente, especialmente durante a terceira idade.

Outrossim, é válido pontuar uma grave consequência do impasse supracitado. Nesse sentido, segundo o princípio da isonomia social, criado na Grécia Antiga e utilizado na legislação brasileira, todos os cidadãos devem ter tratamento igualitário na sociedade, sem qualquer distinção. Contudo, sem alfabetização adequada, esses idosos não podem usufruir com totalidade dos mecanismos de comunicação social, sendo privados do acesso à leitura de livros, notícias e informações importantes. Dessa forma, a isonomia social é contrariada, pois uma parcela expressiva da população é segregada e inferiorizada na hierarquia social.

Portanto, faz-se mister modificar o quadro em questão. Para tal, cabe ao governo, na condição de garantidor dos direitos individuais, promover mecanismos que facilitem o letramento na terceira idade. Tal ação deve ocorrer por meio de cursos gratuitos com profissionais e atividades especializadas para essa faixa-etária, com o objetivo de alfabetizar os idosos e reduzir o sentimento de exclusão desses indivíduos. Por fim, os desafios relacionados à alfabetização na terceira idade serão mitigados, efetivando as propostas da Magna Carta de 1988 no Brasil.