Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 26/08/2024

No Brasil, a desigualdade educacional ligam-se inteiramente ao período colonial e a formação social e econômica do país. Desde o período colonial, a educação foi um privilégio restrito às elites, deixando camadas populares à margem da alfabetização. Com isso, muitos idosos de hoje não obtiveram acesso pleno ao aprendizado relacionado a alfabetização. Além desse legado histórico, há dois problemas centrais que agravam essa questão: as limitações físicas e cognitivas associadas ao envelhecimento e o estigma social que afeta essa faixa etária.

Em primeiro plano, as dificuldades físicas e cognitivas enfrentadas pelos idosos são desafios significativos. Segundo o filósofo Aristóteles, o hábito é uma segunda natureza, e muitos idosos, por não desenvolverem o hábito de estudar na juventude, encontram maior resistência ao aprendizado na velhice. A série “The Crown” retrata a rigidez das tradições e o quanto é difícil adaptar-se a novas realidades na fase avançada da vida, o que reflete a realidade desses idosos que precisam vencer barreiras físicas, como problemas de visão e audição, para se alfabetizarem.

Em segundo plano, o estigma social relacionado ao analfabetismo na terceira idade é um obstáculo igualmente importante. O sociólogo Pierre Bourdieu destaca que a sociedade tende a reproduzir desigualdades, e isso se reflete na forma como os idosos analfabetos são vistos. O filme “Central do Brasil” ilustra a exclusão de pessoas que não dominam a leitura e a escrita, mostrando o quanto o analfabetismo pode isolá-los socialmente. A vergonha de expor sua condição muitas vezes impede que os idosos busquem os programas de alfabetização disponíveis.

Portanto, é imperativo que o Brasil enfrente esses desafios com políticas públicas eficazes. Como sugeriu Paulo Freire, em “Pedagogia do Oprimido”, a educação deve ser um processo emancipador, capaz de transformar realidades. Desse modo, ao adaptar metodologias e criar campanhas de conscientização que desmistifiquem o analfabetismo na velhice, o país, através do Ministério da Educação, poderá promover a inclusão social dos idosos e garantir-lhes uma vida mais digna e autônoma.