Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 26/08/2024
Para o poeta Olavo Bilac, o analfabetismo era um perigo público que impedia o desenvolvimento brasileiro na sua época. Apesar de expressar a realidade de um século anterior, hodiernamente tal pensamento é corroborado na medida em que se verificam diversos desafios, dentre os quais a negligência governamental e os estigmas sociais, relacionados à quantidade de idosos inaptos para ler e escrever.
Em primeira análise, o Estado não oferece educação à população idosa de for-ma plena. No livro “Desigualdade: o flagelo do Brasil”, os autores descrevem os im-pactos das diferentes oportunidades entre as classes sociais no país. Nesse senti-do, os direitos educacionais foram historicamente restritos a grupos específicos, como de homens brancos pertencentes às classes nobres e abastadas e, aos pou-cos, iniciou sua expansão para agregar o restante do povo. Com efeito, o processo gradual que priorizava a formação básica de crianças e jovens não contemplou os antigos e os indivíduos iletrados com totalidade, deixando-os com grande defasa-gem de ensino. Portanto, a educação, apesar de sua evolução, ainda carece de su-porte para atender suas lacunas.
Por conseguinte, o preconceito é um agente catalizador da problemática. Se-gundo o sociólogo Pierre Bourdieu, o complexo das relações sociais é determinado a partir da incorporação de hábitos e pontos de vista predispostos. Dessa forma, a população, imersa em um ambiente de pensamento pautado no etarismo e discri-minatório contra pessoas de baixa escolaridade, tende a reproduzir ações e falas preconceituosas acerca do tema, como dizer que idosos não possuem mais capaci-dade cognitiva. Por consequência, as pessoas mais velhas se sentem envergonha-das no processo de aprendizagem, o que reduz a procura pelo complemento esco-lar e agrava o quadro de desistência.
Destarte, medidas devem ser tomadas para que o analfabetismo entre idosos seja combatido. Para tanto, cabe ao Governo Federal – responsável pela garantia dos direitos educacionais – destinar verbas, adquiridas pela carga tributária, para a criação e melhoria de programas escolares focados na educação de pessoas mais velhas, a fim de que seja possível abranger essa população. Assim, será reduzido os óbices para o desenvolvimento social do Brasil.