Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 27/08/2024

Na obra de Tommaso Campanella, “A Cidade do Sol”, é retrada uma sociedade livre de mazelas sociais, a qual é administrada pelos moradores iluminados pela razão. Em contraste à obra do autor, é notório que há desafios quanto à alfabetização de idosos no Brasil. Sendo alguns dos principais fatores a desigualdade social e a negligência governamental.

Diante desse cenário, compreende-se a injustiça social como uma das primordiais fissuras sociais para a permanência do impasse. Segundo a PUCRS, 2,8 milhões de idosos vivem abaixo da linha da pobreza no Brasil. Nesse viés, compreende-se que há uma densa parte da população idosa sem condições para investir num ensino qualificado. Logo, o Ministério da Educação deverá agir ativamente em relação a essa temível situação.

Sob um segundo olhar, deve-se apontar a inoperância estatal como causa para o entrave. De acordo com o Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, quando uma instituição demonstra descaso e omissão de sua função, a mesma pode ser considerada uma “Instituição Zumbi”. Partindo disso, entende-se que a instituição do governo apresenta-se apática quanto a alfabetização da terceira idade, haja vista que uma parcela expressiva desses cidadãos encontram-se analfabetos ou com dificuldade para a escrita e leitura. Todos esses fatos tem tardado a resolução da problemática, e contribuem para a permanência desse cenário.

Portanto, fica evidente que mudanças são cruciais para a atenuação da atual conjuntura brasileira. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação - principal órgão do governo brasileiro garantidor da educação com qualidade - investir firmemente no programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), por meio das verbas estatais, a fim de que os idosos possam finalmente receberem um ensino não somente acessível, como também qualificado. Somente assim, a realidade brasileira poderá aproximar-se da obra de Tommaso Campanella.