Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 27/08/2024

A Lei 14.407/22 inclui a alfabetização como dever do Estado, sendo um direito fundamental para o exercício pleno da cidadania. No entanto, uma parcela significativa da população idosa no Brasil ainda enfrenta barreiras ao acesso à educação básica, revelando um cenário de exclusão social e cultural. Nesse sentido, apesar dos avanços nas políticas educacionais, a alfabetização dos idosos permanece um desafio significativo que requer atenção específica e medidas efetivas para ser superado.

Em primeira análise, o acesso limitado a programas educacionais adequados é um grande obstáculo no processo de alfabetização dos idosos, visto que muitos desses programas são projetados para atender crianças e jovens. Além disso, a oferta de cursos de alfabetização para adultos é, em muitos casos, insuficiente e concentrada em áreas urbanas, dificultando o acesso de idosos que vivem em regiões rurais ou periféricas. Com isso, essa exclusão educacional contribui para a perpetuação de desigualdades, uma vez que limita as oportunidades de inserção desses indivíduos na sociedade e no mercado de trabalho.

Outrossim, muitos idosos carregam um estigma social associado ao analfabetismo, o que pode resultar em vergonha ou desânimo diante da perspectiva de voltar a estudar. Ademais, o próprio processo de envelhecimento pode trazer dificuldades cognitivas, como problemas de memória ou de visão, que tornam o aprendizado mais desafiador. Sendo assim, sem o apoio adequado, esses fatores podem desestimular os idosos a buscar a alfabetização, perpetuando o ciclo de exclusão e marginalização.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater tais problemáticas. Para isso, é essencial que o poder público e a sociedade civil implementem políticas e programas educacionais voltados especificamente para a alfabetização de idosos, considerando suas necessidades e características específicas, juntamente com a ampliação dos programas de Educação de Jovens e Adultos (EJA), com a inclusão de metodologias adaptadas para a terceira idade, além de incentivos para a participação dos idosos, além de promover campanhas de conscientização contra o estigma associado ao analfabetismo.