Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 27/08/2024
A alfabetização de idosos no Brasil evidencia desigualdades históricas e a exclusão social de uma parcela significativa da população. Em um país onde a educação é fundamental para a cidadania, muitos idosos ainda estão à margem desse direito. Nesse contexto, a obra Leviatã, de Thomas Hobbes, oferece uma reflexão relevante. Hobbes descreve o estado de natureza como um cenário de insegurança e desigualdade, onde a ausência de organização social leva à exclusão. Essa metáfora ajuda a compreender o abandono educacional dos idosos não alfabetizados.
O primeiro grande obstáculo para a alfabetização dos idosos no Brasil está na herança histórica de um sistema educacional excludente. Durante boa parte do século XX, o acesso à educação foi restrito, especialmente para populações rurais e de baixa renda. Como consequência, muitos idosos de hoje nunca tiveram a oportunidade de frequentar a escola. Isso os mantém em um “estado de natureza” hobbesiano. Além disso, o estigma social sobre a educação tardia é uma barreira considerável, gerando vergonha nos idosos que desejam aprender. Esse preconceito reflete a ideia hobbesiana da “guerra de todos contra todos”, agravando a exclusão social.
Outro desafio está na ineficiência das políticas públicas. Embora existam programas voltados à alfabetização de idosos, eles são insuficientes, mal estruturados e de alcance limitado. Para Hobbes, o contrato social é essencial para garantir o bem-estar da população, o que implica o papel do Estado em proporcionar acesso igualitário à educação. A falta de continuidade e recursos nesses programas reflete uma falha do poder público em cumprir seu papel.
Diante desse cenário, é fundamental propor uma intervenção eficaz. O governo deve ampliar programas de alfabetização com metodologias adaptadas e campanhas para combater o estigma social, valorizando a educação em todas as idades. Parcerias entre Estado, empresas e ONGs também podem ampliar o acesso e a eficácia das iniciativas. Com essas ações, é possível promover a inclusão real dos idosos, garantindo-lhes mais autonomia e dignidade.