Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 26/08/2024
John Locke, filósofo inglês, destaca que é dever do Estado assegurar os direitos e o bem-estar da população. Todavia, em virtude dos desafios relacionados a alfabetização de idosos ser uma realidade na sociedade brasileira, é válido reconhecer como o Poder Público não atua de modo efetivo e, pior, não exerce seu papel social conforme os ideais de John Locke. Nessa lógica, é possível analisar a inoperância estatal e a inadequação dos métodos de ensino como impulsionadores do problema.
De início, há de se constatar a débil ação do governo enquanto mantenedor da problemática. Acerca disso, o filósofo Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã”, defende a incumbência do Estado em promover meios que auxiliem o progresso da coletividade. As autoridades, contudo, vão de encontro com a ideia de Hobbes, uma vez que possuem um papel inerte em combater o analfabetismo entre a terceira idade. Isso ocorre pois, assim como pontuou o economista Murray Rothbard, uma parcela dos representantes governamentais, ao se orientar por um viés individualista, negligencia a conservação de direitos sociais indispensáveis, como a alfabetização. Logo, é notório que a omissão do Estado perpetua os desafios para a alfabetização de idosos no Brasil.
Além disso, vale ressaltar a inadequação dos métodos de ensino como um fator que dificulta a atenuação do empecilho, visto que, os métodos de ensino tradicionais não acompanham o ritmo de aprendizado de idosos, o que resulta na dificuldade de aprendizado. Segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, a sociedade incorpora as estruturas sociais, ou seja, os indivíduos incorporam pensamentos difundidos ao longo dos anos e reproduzem com naturalidade. Isso pode ser verificado com a persistência dos desafios para alfabetizar pessoas idosas, já que a população, acostumada com a falta de iniciativas nesse sentido, permite que a problemática supracitada continue em evidência.
Urge, portanto, a adoção de medidas para combater o problema. Nesse sentido, é dever do Governo, investir na criação de programas e políticas públicas voltadas especificamente para a alfabetização da terceira idade, com profissionais especializados em métodos de alfabetização e educação para este público.