Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 27/08/2024
Segundo Immanuel Kant, filósofo alemão do século XVIII, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Infere-se que, portanto, é de extrema importância para a sociedade na atual era técnico-informacional que, todo indivíduo, independentemente da idade, tenha a oportunidade de ser alfabetizado. No entanto, o acesso à educação para pessoas idosas no Brasil enfrenta dificuldades, devido tanto à maior complexidade de ensinar idosos, assim como às heranças de inúmeras crises que ocorreram no país nas décadas recentes.
De acordo o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 20% dos brasileiros na faixa dos 60 anos de idade são analfabetos. No entanto, segundo um estudo conduzido pelo cientista alemão Michael Ramscar, o cérebro de pessoas de idade avançada funciona mais lentamente, devido a quantidade de informação acumulada. Tal fato impões desafios na criação de infraestruturas de ensino eficientes para este público, podendo gerar experiências de aprendizado ineficaz para os indivíduos.
Além disso, eventos históricos, como a hiperinflação no país durante a década de 90, ainda demonstram impactos profundos na sociedade brasileira. Mesmo com o controle desta crise e, inúmeras outras que assolaram o país nas últimas décadas, dados do IBGE mostram que mais de 30% dos brasileiros se encontravam em situação de pobreza em 2022. Isso dificulta o acesso de pessoas mais velhas — que sofreram diretamente das consequências destes eventos — à educação, limitando o alcance de programas como o ENCEJA à população mais rica.
Portanto, é dever do ministério da educação, em parceria com a iniciativa privada, melhorar os centros educacionais de pessoas idosas em todo país, bem como criar programas solidários que, principalmente, focam em alfabetizar a terceira idade em situação de pobreza — como em favelas. Consequentemente, a médio prazo, a taxa de alfabetização da população sênior do país há de aumentar, aproximando o Brasil de uma população capaz, moldada pela educação, segundo a teoria de Kant.