Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 27/08/2024

“A Velhice”, obra com autoria de Simone de Beauvoir, possibilita uma forte reflexão com relação as pessoas de mais idade. A palavra “velho”, pode muitas vezes ser considerada pejorativa, já que em um de seus significados representa algo que não tem valor, que já passou do tempo e não tem mais utilidade. Sendo assim, a velhice é constantemente negligenciada e marginalizada por parte da sociedade. Esse e outros motivos além do preconceito, como o grau de escolaridade, podem influenciar no nível de alfabetização do Brasil, principalmente dos idosos.

Como já citado, alfabetizar pessoas idosas é uma tarefa um tanto quanto desafiadora. Muitos educadores já relataram que se sentem inseguros ao ensinar alguém que viveu mais tempo que eles, como já foi revelado pela professora e doutora, Paola Scortegagna, em um momento da entrevista “OLHAR E IDENTIDADE”. Por conta do preconceito, esse e outros pensamentos como o de que o idoso não conseguirá ou demorará muito para aprender, complicam uma etapa que poderia ser prazerosa para ambos os lados. Ainda mais que o tempo de aprendizagem é diferente para todas as pessoas independente da faixa etária.

Segundo dados do IBGE, em 2022, 5,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais no Brasil eram analfabetas. Esse número, mesmo que assustador, pode ser facilmente justificado considerando que, antigamente, o acesso à educação era muito limitado. Entretanto, hoje em dia essas pessoas se interessam cada vez mais por seus direitos, desse modo, elas procuram se alfabetizar mesmo ao entardecer. Com objetivos diferentes, como ler uma receita, livros, a bíblia ou, também, conquistas mais profundas, como realizar algum estudo ou formação.

Em suma, o número alarmante de idosos analfabetos no Brasil revela uma demanda crescente por inclusão educacional na terceira idade. Por isso, é dever do Estado coscientizar a população, por meio de campanhas, para findar a idéia de que idosos não conseguem ou não podem aprender coisas novas. Também, criar programas educacionais voltados para pessoas de maior idade, com fácil acessibilidade e adaptabilidade e, profissionais capacitados. Desse modo, espera-se cessar os desafios relacionados à alfabetização de idosos no Brasil.