Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 26/08/2024

A alfabetização de idosos no Brasil é um desafio persistente que reflete as desigualdades sociais e educacionais enraizadas no país. De acordo com dados do IBGE, cerca de 6,5% da população brasileira com mais de 60 anos é analfabeta, o que evidencia um problema crônico, resultado de décadas de exclusão educacional. A filósofa Hannah Arendt argumenta que a educação é a base para a construção de uma sociedade democrática, onde todos os indivíduos têm voz ativa. No entanto, a realidade dos idosos analfabetos mostra que essa voz ainda é negada a muitos, perpetuando um ciclo de marginalização.

A falta de acesso à educação básica durante a juventude dessas pessoas é um dos fatores que contribuem para essa situação. No Brasil, o sistema educacional tem historicamente falhado em incluir todas as camadas sociais, especialmente as mais pobres e rurais, onde grande parte dos idosos analfabetos se encontra. Além disso, a pouca valorização das políticas públicas voltadas para a educação de adultos e idosos agrava o problema. Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, destaca a importância da educação como um ato de libertação, mas sem uma estrutura adequada, muitos idosos permanecem presos à ignorância e à exclusão.

Outro obstáculo é o preconceito e a falta de apoio social e familiar que muitos idosos enfrentam ao tentar se alfabetizar. A sociedade, em geral, enxerga a educação como algo restrito aos jovens, o que desestimula os idosos a buscarem aprender. A filósofa Simone de Beauvoir, em “A Velhice”, ressalta como o envelhecimento é acompanhado por uma crescente invisibilidade social, e, no contexto da alfabetização, isso se traduz em uma falta de estímulo e oportunidades para aqueles que querem aprender. Para romper com essa realidade, é essencial que o Brasil invista em políticas públicas inclusivas e em uma mudança de mentalidade, reconhecendo a importância da educação ao longo de toda a vida.