Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 26/08/2024

“Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados”. A declaração do escr-itor e filósofo inglês Aldous Huxley, ao ser analisada sob a atual conjuntura do país, permite refletir sobre como os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil estão sendo negligenciados no tecido social brasileiro. Nesse sentido, fatores como a falta de políticas públicas efetivas e o analfabetismo funcional, em conso-nância com o histórico de desigualdade social, não podem ser desprezados, visto que esses são os principais elementos relacionados com a problemática.

A Constituição de 1988, ampliou os limites tradicionais da democracia brasileira ao estender o direito à educação para toda a população. Todavia, é importante salientar que tal prerrogativa não está sendo totalmente garantida, tendo em vista que uma parcela significativa dos idosos brasileiros ainda enfrenta dificuldades em ler e escrever. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Sesc São Paulo e pela Fundação Perseu Abramo, 40% dos maiores de 60 anos afirmaram ter algum tipo de dificuldade em leitura e escrita. Portanto, é inadmis-sível que o Estado não garante políticas públicas capazes de reduzir ou corrigir essa situação.

Somado a isso, vale ressaltar que o histórico de desigualdade social no Brasil, que impediu que muitos idosos tivessem acesso à educação na infância, contribui para intensificar os desafios relacionados à alfabetização dos idosos. De acordo com dados do IBGE, 18% das pessoas com mais de 60 anos são analfabetas. Isso nos mostra que a população brasileira está diante de uma situação extremamente delicada e é por essa razão que ações precisam ser tomadas para que todos possam viver com mais harmonia e com todos os seus direitos garantidos.

Desse modo, é importante que o Estado tome providências para alterar o quadro atual. Para garantir a inclusão dos idosos no processo educacional, urge que o Ministério da Educação, por meio de programas específicos voltados à Educação de Jovens e Adultos (EJA), amplie a oferta de cursos e oportunidades de alfabetização para essa faixa etária. Assim, será possível melhorar a realidade da sociedade brasileira, garantindo que todos, independentemente da idade, tenham acesso pleno à educação e, consequentemente, a uma vida mais digna.