Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 26/08/2024
Segundo Aldous Huxley, “Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados”. No Brasil, essa máxima se aplica ao contexto da alfabetização dos idosos, uma questão que precisa ser enfrentada com urgência. Dados do IBGE mostram que a taxa de analfabetismo entre pessoas com mais de 60 anos ainda é alta, evidenciando a negligência histórica em relação a essa parcela da população. Isso decorre, principalmente, de dois fatores: um passado educacional deficiente e a falta de políticas públicas eficazes voltadas para a educação continuada.
A Constituição de 1988, conhecida como “Constituição Cidadã”, ampliou o direito à educação para toda a população. Todavia, essa prerrogativa não está sendo plenamente garantida, pois os idosos enfrentam barreiras significativas para acessar programas de alfabetização. A ausência de infraestrutura adequada e de profissionais capacitados para lidar com as necessidades específicas dos idosos agrava o problema. Além disso, o estigma social em relação ao aprendizado na terceira idade desmotiva muitos a buscarem educação.
É inadmissível que, em um país com uma das maiores cargas tributárias do mundo, o Estado não promova políticas públicas eficazes para corrigir essa situação. A inclusão educacional é fundamental para a cidadania plena. Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã”, defende a obrigação do Estado de proporcionar meios para o progresso social. No entanto, as autoridades brasileiras têm falhado em priorizar a alfabetização dos idosos, perpetuando a exclusão social e comprometendo o desenvolvimento do país.
Superar os desafios da alfabetização dos idosos é essencial. O governo deve promover políticas que incentivem a educação continuada, oferecendo cursos de alfabetização acessíveis e metodologias adaptadas. Campanhas de conscientização são igualmente importantes para combater o estigma associado ao aprendizado na velhice. Assim, o Brasil poderá se tornar um país mais justo e inclusivo, onde todos, independentemente da idade, possam exercer plenamente sua cidadania.