Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 26/08/2024

“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”. A frase de Paulo Freire, um dos maiores educadores brasileiros, destaca a importância da educação como agente de mudança social. No Brasil, a alfabetização de idosos representa um desafio significativo, revelando as disparidades educacionais acumuladas ao longo de décadas.

Paulo Freire, renomado educador brasileiro, afirmou que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”. Esse pensamento é especialmente relevante quando consideramos que a alfabetização de idosos é uma forma de integrá-los mais profundamente na sociedade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que, em 2022, cerca de 11,6 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais eram analfabetos, representando aproximadamente 18% da população idosa. Esse alto índice de analfabetismo reflete uma exclusão social acumulada ao longo de décadas, em que o acesso à educação era limitado e, muitas vezes, inacessível para as classes mais desfavorecidas. Especialistas, como a socióloga Maria Lúcia Garcia, apontam que a falta de políticas públicas contínuas e eficazes na educação de adultos agrava esse cenário, perpetuando a marginalização dos idosos.

Além disso, a alfabetização na terceira idade enfrenta barreiras específicas, como a resistência ao aprendizado, problemas de saúde e limitações cognitivas naturais do envelhecimento. Segundo um estudos realizado pelo Intituto Paulo Montenegro, a inclusão de idosos em programas de alfabetização deve considerar métodos pedagógicos adaptados, que respeitem o ritmo e as necessidades dessa faixa etária.

Diante desse cenário, é fundamental que o governo federal, em parceria como o Ministério da Educação, desenvolva e amplie programas de alfabetização voltados especificamente para a população idosa. Projetos como o “Brasil Alfabetizado”, que já visa combater o analfabetismo em diversas faixas etárias, poderiam ser adotados e expandidos para atender as demandas dos idosos, com recursos e metadologias apropriadas.