Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 29/10/2024
Em 1948, a Organização das Nações Unidas promulgou um dos documentos mais relevantes da história recente: a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo conteúdo garante a educação. Todavia, o analfabetismo da terceira idade impede que eles vivenciem o direito assegurado pela ONU. Assim, para promover a alfabetização dos idosos, há de se combater a invisibilidade social e a omissão estatal.
Diante desse cenário, a filósofa francesa Simone de Beauvoir desenvolveu um conceito conhecido como “Invisibilidade Social”, segundo o qual há uma indiferença crônica sofrida por determinados grupos marginalizados. Sob a lógica de Beauvoir, o direito à educação, que deveria ser estendido a todos, representa privilégio de poucos. Tal negligência é evidenciada pelo silenciamento, haja vista a falta de ações socias — palestras e debates públicos — que discutam os caminhos para a alfabetização da terceira idade. Desse modo, é incoerente que o país ainda conviva com o arcaico dilema da invisibilidade social.
Ademais, a inércia do Estado motiva a perpetuação do problema. Nesse viés, Norberto Bobbio — expoente filósofo italiano — afirma que as autoridades devem não apenas ofertar os benefícios da lei, mas também garantir que a população usufrua no cotidiano. Nesse sentido, a partir do raciocínio de Bobbio o governo deve criar políticas públicas que assegurem a educação aos idosos, bem como garantir que eles vivenciem na prática. No entanto, essa falta de iniciativa estatal é exemplificada pela carência de profissionais — especializados na educação do idoso — nas escolas públicas. Dessa forma, enquanto a omissão for a regra, o analfabetismo ainda será a realidade da nação.
É urgente, portanto, que as escolas — responsáveis pela transformação social — conscientizem a população sobre o analfabetismo da terceira idade, por meio de palestras que discutam o retrocesso educacional enfrentado pelos idosos. Além disso, o governo deve oferecer cursos gratuitos — especializados no ensino da terceira idade — para professores. Essas iniciativas terão a finalidade de promover o alfabetização dos idosos e garantir que o direito assegurado pela ONU seja, em breve, a realidade no Brasil.