Os desafios relacionados à alimentação no Brasil

Enviada em 16/10/2019

“O importante não é viver, mas viver bem”. A frase do filósofo Platão frisa a importância da qualidade de vida, entretanto a atual situação alimentar do Brasil impossibilita a efetivação dessa máxima na realidade da população. Esse impasse é fruto, principalmente, do consumo demasiado de comidas industrializadas em consonância ao uso de agrotóxicos na produção dos alimentos. Dessa forma, cabe analisar esses desafios, a fim de compreender e obter soluções para essa problemática.

A priori, é fulcral pontuar que o advento da globalização modificou toda a vida do homem, inclusive à alimentação. Na obra “Modernidade líquida”, o sociólogo Zygmunt Bauman descreve a sociedade contemporânea como líquida, ou seja, está em constante transformação. Nesse viés, as comidas processadas são as melhores opções para atender essa realidade pautada no imediatismo das coisas. Por conseguinte, tendo em vista o uso excessivo de aditivos químicos e açúcar na fabricação desses produtos, aumenta a incidência de doenças crônicas, por exemplo, a diabete que saltou para 54% na última década devido ao excesso de ingestão de alimentos industrializados, segundo o site de notícias G1. Diante dos fatos, faz -se mister a reformulação dessa postura social de forma urgente.

Ademais, vale ainda ressaltar a utilização de defensivos agrícolas como promotor do problema. De acordo com uma pesquisa publicado pela ABRASCO (Associação Brasileira de Saúde Coletiva),  64% dos alimentos no Brasil são contaminados por agrotóxicos, sendo 28% do total de alimentos produzidos com substâncias não autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Desse modo, essa conjuntura provoca mortes e doenças na população, além dos danos ambientais, como a poluição dos solos e lençóis freáticos. Assim, embora seja signatário dos Direitos Humanos, evidencia-se um país negligente com à saúde e alimentação dos brasileiros.

Infere-se, portanto, a importância de medidas para amenizar esses fatores. Destarte, necessita-se que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Cidadania será revertido em campanhas, através dos meios midiáticos com a apresentação de planos e cardápios alimentares equilibrados, afim de orientar e conscientizar o tecido social a ter refeições mais saudáveis. Outrossim, é preciso que o Poder Legislativo torne a Lei de agrotóxicos mais rigorosa, por meio do reformulamento para permitir, apenas, o uso dos agroquímicos liberados pela ANVISA com pena de multa e detenção quando houver o descumprimento, para que os agricultores tenham como exemplo os que forem punidos e respeitem a legislação. Espera-se, com isso, diminuir os desafios relacionados à alimentação e proporcionar um pouco mais de qualidade para vida dos brasileiros como propõe o ideal de Platão.