Os desafios relacionados à alimentação no Brasil

Enviada em 08/10/2019

Diante do atual cenário majoritariamente capitalista e dinâmico, a promoção de uma Educação Alimentar e Nutricional (EAN) torna-se ainda mais imprescindível. Todavia, no Brasil, ocorre que grande parcela dos indivíduos adultos não enxerga o processo de alimentação como uma etapa de responsabilidade, o que reflete, sobretudo, na nutrição infantil. Nesse sentido, a fragilidade educacional do ensino brasileiro, bem como a negligência familiar configuram graves empecilhos à promoção de uma alimentação consciente, colaborativa e saudável.

É válido considerar, em primeiro plano, que o arcaico sistema de educação do país é um fator contribuinte para o agravamento dessa questão de Saúde. Isso porque o currículo das escolas do Brasil preconiza a mecanização do pensar em detrimento do estímulo à capacidade reflexiva e de maior aplicabilidade cotidiana. Assim, a consequência mais imediata desse cenário é a formação de crianças expostas e vulneráveis à expectativa de maximização dos lucros do sistema, que se expressa no bombardeio midiático persuasivo das companhias de “fast food”. Dessa maneira, se o poder público permanecer passivo, a obesidade e as outras doenças intrínsecas à má alimentação poderão, decerto, tornar o sistema de saúde pública ainda mais problemático e dispendioso.

Cabe pontuar, ainda, que a dinamicidade inerente ao capitalismo corrobora a não intervenção familiar na nutrição da criança. Isso porque, apesar de não configurar uma justificativa irrefutável, é certo que a exaustiva rotina de substancial parcela da sociedade inviabiliza o olhar mais atento dos responsáveis à qualidade da alimentação da criança. Tal argumento apoia-se no conceito de “Sociedade do Cansaço”, que o sociólogo Byung Chul Han defende como sendo a tentativa de mecanização do homem pelos sistemas de produção e a exigência exacerbada por uma alta performance, o que distancia o ser de sua natureza humana e o faz direcionar suas preocupações, sobretudo, para as atividades laborais. Assim, enquanto essas basais instituições - Escola e Família - não atuarem eficazmente, as crianças persistirão convivendo com este preocupante entrave: a insuficiente qualidade nutricional das crianças.

Depreende-se, portanto, a indispensabilidade de medidas que atenuem essa problemática. Para isso, cabe ao Executivo, na figura do MEC, promover a execução da lei, aprovada em 2018, efetivando a obrigatoriedade da inclusão da EAN nas escolas, por meio da destinação de verbas às Secretarias Regionais de Educação para a promoção de feiras com produtos orgânicos e oficinas lúdicas, aberta para alunos e responsáveis, afim de que, a partir da interação, a coletividade possa compreender a imprescindibilidade de uma alimentação responsável, consciente e que garante o crescimento saudável das crianças e a manutenção do equilíbrio físico-mental dos adultos diante da dinamicidade do contexto