Os desafios relacionados à alimentação no Brasil
Enviada em 03/05/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, quando se observa o descaso da importância de uma boa alimentação, verifica-se que a realidade é o oposto do que o autor prega, seja pela falha no sistema educacional, seja pela negligência governamental.
Precipuamente, deve-se ressaltar que a educação é o fator primordial para o desenvolvimento de um país. De acordo com o Fundo Monetário Internacional, o Brasil ocupa a nona posição na economia mundial, logo, seria racional acreditar que essa nação possui um sistema público de ensino eficiente. Porém, isso não acontece na prática, e o resultado desse contraste é claramente refletido na falta de conhecimentos básicos sobre nutrição, gerando, por consequência, a perda da qualidade de vida, devido ao surgimento de doenças crônicas e o forte impacto ao meio ambiente, que com uma dieta baseada em carne bovina, por exemplo, incentiva ainda mais a bovinocultura, grande responsável pelo aquecimento global, com a forte emissão de metano, e pela perda da biodiversidade, ocorrendo o desmatamento para formação dos pastos. Dessa forma, é preciso uma intervenção para que essa inaceitável questão seja modificada com o fito de alcançar a isonomia.
Faz-se mister, ainda, salientar a negligência governamental como impulsionadora do problema. Desse modo, o governo, mediador das ações sociais, é o responsável por garantir o bem-estar da população, todavia, isso não ocorre no Brasil. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, torna-se essencial a resolução da problemática, a fim de diminuir a ocorrência desse cenário deletério.
Portanto, é de suma importância que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Dessarte, com o intuito de mitigar os efeitos da má alimentação, urge que o Ministério da Educação inclua, por meio de verbas governamentais direcionadas pelo Tribunal de Contas da União, aulas de ensino alimentar na grade curricular e insira abordagens sobre os impactos sociais e ambientais em matérias como sociologia, geografia e biologia, com vistas a mitigar os efeitos ambientais do agronegócio e o crescimento do número de pessoas com doenças crônicas. Somente assim, a sociedade poderá alcançar a “Utopia” de More.