Os desafios relacionados à alimentação no Brasil

Enviada em 12/08/2020

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito aos maus hábitos alimentares, visto que, apesar da relevância da alimentação na qualidade de vida e na saúde, ela é tratada com descaso por parte de brasileiros. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: a falta de conhecimento e a carência de debate.

A princípio, a falta de conhecimento apresenta-se como um complexo dificultador. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Diante dessa perspectiva, se as pessoas não possuem conhecimentos básicos sobre nutrição, sua visão será limitada, o que dificulta a diminuição das taxas de obesidade e de doenças crônicas (diabetes, hipertensão, câncer) no Brasil. Segundo dados divulgados em 2017 pelo Ministério da Saúde, 60% da população brasileira apresenta distúrbio nutricional alimentar por consumir alimentos pobres em nutrientes essenciais, realidade alarmante que evidencia a  perda de qualidade de vida de muitos brasileiros.

Outro ponto relevante nessa temática é a carência de debate. Desse modo, Habermas traz uma contribuição importante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Diante disso, para que os maus hábitos alimentares presentes na sociedade contemporânea brasileira sejam reduzidos, faz-se necessário debater sobre. Entretanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, uma vez que há pouca discussão nas escolas sobre os mitos e modismos alimentares que circulam nas redes sociais. Essas informações frequentemente diferem do real valor nutricional do alimento ou da dieta, provocando sérios distúrbios alimentares entre os jovens. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário caótico. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre maus hábitos alimentares e suas consequências para a saúde, bem como incentivar os jovens a adotarem modos de vida saudáveis no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e dos profissionais da área de saúde. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama desafiador e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.

Apesar da relevância da alimentação na qualidade de vida e na saúde, ela é tratada com descaso por parte de brasileiros; contraste entre histórico nacional marcado pela fome e o presente caracterizado pelo sobrepeso/obesidad