Os desafios relacionados à alimentação no Brasil
Enviada em 13/08/2020
O filme O Poço da Netflix, se passa em uma prisão vertical, onde a comida é distribuída de cima para baixo, e apesar da comida ser suficiente para todos, os andares inferiores recebem ou restos ou nada. Infelizmente, essa obra ficcional se assemelha muito a realidade brasileira, em que fatores histórico-econômicos associados as suas consequências impedem a alimentação e saúde dos brasileiros.
Nesse contexto, a alta concentração de renda e falta de gerência do Estado resulta em uma desigualdade alimentar. Isto é, além da alta discrepância socioeconômica das classes brasileiras remotar da época da colonização, com o incentivo ao latifundiarismo, ela foi intensificada. Pois, as primeiras políticas públicas de distribuição de renda ocorreram apenas a partir de 1988, com a nova Constituição. Assim, resultando em uma grande parcela da população com baixo ou quase nenhum poder aquisitivo, o que produz consequências gravíssimas como a fome e a deficiência alimentícia.
Consequentemente, a insegurança alimentar tem grande impacto negativo na saúde pública. Isso ocorre, pois, devido ao baixo poder aquisitivo das classes mais vulneráveis os alimentos disponíveis para a compra são os industrializados baratos, que possuem baixo teor nutricional e alta concentração de gorduras e sais. Ou seja, quando consumidos de maneira constante causam obesidade, pressão alta, e doenças de carência nutricional, contribuindo assim para a saturação do SUS.
É preciso, portanto, medidas que façam a comida “de verdade” chegar a população pobre. Assim, o Ministério das Cidades deve desenvolver junto com as prefeituras a compra de alimentos da agricultura familiar para revenda a preço de custo ou mais barato nas comunidades carentes a depender de seu poder aquisitivo. Para que, dessa forma a deficiência alimentar seja combatida e a distribuição de renda melhorada, deixando o filme O Poço apenas na ficção.