Os desafios relacionados à alimentação no Brasil
Enviada em 06/09/2020
A alimentação de baixa qualidade é um grave problema que acompanha a história da humanidade. O escorbuto, doença que gera hemorragias nas gengivas e feridas que não cicatrizam devido à carência de vitamina C, alastrou-se durante as Grandes Navegações e levou muitos marinheiros a óbito. Nesse contexto, atualmente, a renda das famílias influencia diretamente na variedade de alimentos a ser ou não adquirida. Além disso, em função de uma rotina intensa de trabalho e/ou estudos, muitas pessoas acabam optando por produtos industrializados ou fast foods.
Inicialmente, deve-se atentar à dificuldade de acesso aos alimentos essenciais devido à baixa renda de muitas famílias. A insuficiência na alimentação é um cenário impróprio para a saúde de qualquer indivíduo, que manifesta-se em um aumento dos indicadores antropométricos da desnutrição e em outras condições físicas precárias ao desenvolvimento individual e social. Dados divulgados em 2018 pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF) relataram que 149 milhões de crianças com menos de 5 anos sofrem de déficit de crescimento pela má nutrição. Desde 2009, o Programa de Alimentação Escolar (PNAE) é o grande marco à garantia do direito de uma alimentação de qualidade aos alunos de toda rede básica de ensino, os quais, em muitas vezes, possuem grandes carências nutricionais. Apesar dessa conquista, a dificuldade no monitoramento dos municípios e falta de divulgação dos trabalhos desenvolvidos interfere em uma maior efetividade das ações dessa política pública.
Outrossim, o consumo de alimentos industrializados aumentou devido ao ritmo acelerado da rotina de muitos brasileiros. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) apontam que 60% dos adolescentes de São Paulo acompanhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) consomem produtos industrializados regularmente em suas casas. Essa realidade abrange a vida de muitas pessoas repletas de afazeres e compromissos envolvendo família, casa e estudos. Atitudes como sair do trabalho e comprar lanches para compor o jantar é bastante comum. Com isso, crianças e jovens acabam sendo levados a ingerir os mesmos alimentos e continuar com esse hábito na vida adulta.
Destarte, compreende-se que é necessário implantar medidas para que a alimentação do brasileiro se torne mais saudável e equilibrada. Cabe ao Governo Federal aumentar os investimentos para melhoria do monitoramento das ações desenvolvidas pelo PNAE e para possibilitar maior divulgação desse trabalho através de propagandas nas redes sociais. Cada cidadão pode se organizar uma lista de compras para evitar desperdício e favorecer o preparo de alimentos saudáveis durante o final de semana e depois congelá-los. Assim, diminui-se o risco de muitas doenças crônicas na sociedade.