Os desafios relacionados à alimentação no Brasil

Enviada em 29/09/2020

No filme “Wall-E”, da Disney Pixar, a manutenção de um estilo de vida não saudável e sedentário fez com que a humanidade inteira ficasse obesa, perdendo a habilidade de realizar movimentos fundamentais, como andar, nadar e se levantar. Apesar do cunho ficcional, o filme aborda um assunto recorrente na sociedade atual, em especial no Brasil: a má alimentação. No país, a introdução de um estilo de vida saudável é ainda mais difícil, devido aos altos preços praticados em alimentos orgânicos, sustentáveis e de cultivo familiar. Ademais, com a promoção da mídia, as pessoas consomem alimentos ricos em gorduras e açúcares sem se preocuparem com as informações nutricionais dos produtos, piorando os casos de doenças relacionadas à alimentação.

Primeiramente, é importante ressaltar que os alimentos orgânicos no Brasil são consideravelmente mais caros que os convencionais, dificultando o consumo da maioria mais pobre. Isso estaria associado à produção em menor escala, à inexistência de incentivos fiscais para produtores familiares, e ao alto rigor e despesa para se adquirir o selo de certificação do produto, que deve garantir, além da qualidade do alimento orgânico, a saúde do trabalhador rural. Entretanto, os alimentos convencionais, sendo mais baratos, colaboram para a poluição ambiental e para problemas de saúde na população, com o uso indiscriminado de agrotóxicos que, comprovadamente, fazem mal à saúde humana. Dessa forma, o investimento em produtos naturais possibilitaria um estilo de vida mais saudável no Brasil.

Outrossim, com a atuação da mídia, promovendo marcas alimentícias, a população é influenciada a consumir alimentos que prejudicam a saúde, sem se preocuparem com os danos futuros de doenças alimentares. De acordo com o sociólogo estadunidense George Ritzer, a “McDonaldização” de comidas promove o consumo desenfreado de alimentos sem benefícios nutricionais, estando aliado às propagandas que enfatizam a quantidade e a rapidez no atendimento em detrimento da qualidade. Dessa forma, cria-se um ambiente propício para a perpetuação de doenças alimentares, sobrecarregando o sistema de saúde brasileiro e agravando a qualidade de vida de cidadãos.

Portanto, nota-se que a alimentação saudável brasileira carece de estímulos por parte do Estado. Nesse sentido, cabe ao Governo Federal investir em produtores orgânicos, por meio de incentivos fiscais, com o objetivo de diminuir o preço de tais produtos e, consequentemente, possibilitar seu consumo pela camada mais pobre, melhorando a qualidade de vida da população. Somado a isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, a conscientização de crianças a respeito da alimentação através de atividades lúdicas. Dessa forma, será possível cultivar uma ideologia responsável a respeito dos hábitos alimentares, atenuando problemas de saúde no Brasil.