Os desafios relacionados à alimentação no Brasil
Enviada em 03/10/2020
Embora o artigo 196 da Constituição Federal de 1988 assegure o acesso à saúde como direito de todos os cidadãos, percebe-se que, na atual realidade brasileira, não há o cumprimento dessa garantia, principalmente no que diz respeito aos desafios enfrentados pela sociedade brasileira quanto à alimentação. Isso acontece devido à ilegitimidade das políticas públicas, além da falta de incentivo a hábitos saudáveis.
Em primeira análise, é irrefutável a negligência das autoridades na resolução desse problema. Segundo o escritor Gilberto Dimenstein, em sua obra " O Cidadão de Papel “, nem sempre as leis presentes nos documentos oficiais nacionais são cumpridas, o que desencadeia uma realidade em que os indivíduos são reconhecidos e amparados pelo Estado apenas no papel. Esse cenário é presente no Brasil, posto que a promoção de uma Educação Alimentar e Nutricional (EAN) é responsabilidade do Governo, o qual tem se mostrado negligente, conivente e incompetente, pois de acordo com o Ministério da Saúde, a obesidade cresceu 60 % nos últimos 10 anos. Dessa maneira, essa insuficiência do aparato institucional evidencia o descaso do Governo com a coletividade.
Ademais, outro fator a salientar é a falta de informação no âmbito familiar e escolar no que tange à alimentação. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, em sua teoria sobre o " habitus “, afirma que, por meio da socialização, determinados comportamentos são naturalizados e repassados para as próximas gerações. Logo, com o advento da Revolução Industrial, contexto marcado pela efetivação do modelo econômico capitalista, houve uma mudança nas relações interpessoais, no comportamento alimentar dos indivíduos e na disponibilidade dos alimentos, o qual contribuiu para o contexto contemporâneo, visto que o cotidiano atribulado é um dos principais empecilhos a manutenção de uma alimentação equilibrada e regular. Tendo em vista a problemática supracitada, medidas são necessárias para resolvê-la.
Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, investir em campanhas de divulgação relacionadas à alimentação, mediante propagandas na TV aberta e mídias sociais como Facebook, Twitter e Instagram, de modo a informar a população sobre os princípios e os benefícios de uma alimentação saudável. Outrossim, compete ao Ministério da Educação, por meio das escolas, incluir aulas de EAN na grade curricular e palestras voltadas aos responsáveis pelas crianças e adolescentes, a fim de esclarecer os riscos de uma alimentação desequilibrada e melhorar o hábito alimentar do núcleo familiar. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.