Os desafios relacionados à alimentação no Brasil
Enviada em 19/10/2020
Obesidade, hipertensão, diabetes. Diversos são os prejuízos individuais e coletivos da falta de uma alimentação adequada entre os brasileiros na contemporaneidade. Nesse contexto, percebe-se que a evolução do sistema capitalista, da globalização, da tecnologia e do mercado de trabalho fez com que os indivíduos não tivessem tempo para se alimentarem adequadamente. Somado a isso, a falta de conhecimentos básicos sobre nutrição e a publicidade ilusória da indústria alimentícia conduziram parte da população à doenças crônicas, distúrbios alimentares e a uma consequente perda da qualidade de vida, o que demostra a urgente necessidade da alimentação dos brasileiros ser tratada como uma questão de saúde pública.
Primeiramente, um entrave é o atual cotidiano atribulado da maioria da sociedade, que, em busca de economizar tempo, opta por alimentos desfavoráveis à saúde, como por exemplo “fast foods”. Tal situação é evidenciada por uma pesquisa feita pela Associação Internacional Dedicada à Prevenção e Estudo do Estresse que mostra que 62% dos brasileiros sofrem com a falta de tempo. Nesse cenário, nota-se a contribuição do desconhecimento banal alimentício, que é influenciado por informações manipuladoras das empresas de alimentos, que não visam a saúde das pessoas, mas sim maior lucratividade e que, portanto, conduzem as pessoas a uma cega e maléfica refeição.
Dessa maneira, é evidente que ocorra um aumento no número de doenças relacionadas à alimentação, o que pode gerar uma possível redução da expectativa de vida da população. Segundo um estudo realizado pela Universidade de Harvard, as crianças dos Estados Unidos - país com maior porcentagem de obesidade mundial - têm grandes chances de viverem menos que seus pais. Diante disso, pode-se projetar que no Brasil, o qual segue a mesma tendência do país norte-americano, também ocorra essa alarmante situação, o que impactará negativamente na saúde pública, visto que haverá um aumento de demanda devido ao crescimento das doenças crônicas.
Logo, para alertar a população brasileira sobre os graves transtornos que alguns produtos podem causar no corpo humano, cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) adotar regras mais rígidas para os rótulos de alimentos - fontes maiores, adoção de linguagem mais clara e selos com advertência - mediante a criação de leis que obriguem sua efetivação, de maneira a formar uma sociedade mais informatizada e ciente do que está consumindo. Ademais, o Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino, deve incluir aulas obrigatórias de educação alimentar e nutricional (EAN) para os alunos e seus pais - principais influenciadores dos hábitos alimentares - por meio de palestras, de modo a reverter um possível futuro de doenças em um saudável.