Os desafios relacionados à alimentação no Brasil

Enviada em 02/11/2020

Uma das características da cultura é tornar normal o que não é". Essa afirmação do historiador brasileiro Leandro Karnal pode facilmente servir como ferramenta para ilustrar o avanço da negligência com a alimentação saudável no Brasil, uma vez que o hábito naturaliza o consumo de alimentos cada com menor valor nutritivo. Essa realidade é fruto inegável de uma sociedade pautada no fluxo e vida rápido do meio urbano capitalista. Assim, entre os fatores que alicerçam essa questão, pode-se destacar a subversão do papel pedagógico das escolas, bem como os discursos midiáticos.

Em primeiro plano, é válido analisar como as instituições de ensino, aliadas ao modelo de vida movida pelo lucro, cristaliza essa problemática. Isso ocorre porque as escolas priorizam ensinar conteúdos técnicos, que impõem aos alunos uma grade curricular padronizado para o mercado de trabalho, em detrimento de lecionar conteúdos que altere a realidade do sujeito, como o conhecimento de hábitos alimentares saudáveis e, assim, forma cidadãos submetidos ao consumo de alimentos com baixo teor nutricional. Esse panorama é paralelo ao defendido pelo educador Paulo Freire em seu ensaio “Pedagogia da Autonomia”, no qual Freire critica a postura ineficaz das escolas em emancipar o sujeito aprendiz, já que os indivíduos torna-se menos autônomos para escolher os alimentos saudáveis.

Outrossim, as narrativas dos meios de comunicação, em conjunto ao sistema econômico vigente, solidifica os desafios de implementar uma alimentação saudável no Brasil. Essa situação advém de uma mídia publicitária que estar vinculado ao objetivo de ampliar o comércio de alimentos industrializados e, desse modo, promove propagandas que constrói no imaginário coletivo a ideia de que as comidas processadas são uma alternativa viável para a agilidade que o cotidiano urbano exige. Esse pensamento converge com o do jornalista Caco Barcelos para quem “A culpa não é de quem não sabe, mas de quem não ensina”, dado que a tendência social em não ter uma relação saudável com a comida não é sua culpa, mas sim de uma mídia que não age com responsabilidade ao transmitir os malefícios da alimentação urbana.

Visto isso, constata-se que os obstáculos para a concretização de uma alimentação saudável no Brasil origina-se de uma sociedade capitalista. Desse modo, urge que o Governo Federal, por meio de um Decreto Federativo, crie um Plano Nacional de Incentivo à Alimentação Saudável, a fim de promover políticas públicas voltadas ao estímulo de uma comida nutritiva. Assim, esse Plano deve alterar os Parâmetros Curriculares Nacionais ao incluir a obrigatoriedade de ensinar nutrição básicas aos estudantes, além de regulamentar a publicidade de alimentos pouco nutritivos e garantir a abordagem desse tema nos canais abertos. Dessa forma a cultura deixará de normalizar o que não é normal.