Os desafios relacionados à alimentação no Brasil
Enviada em 09/12/2020
‘’Segurança Alimentar’’ é estabelecida quando todas as pessoas têm acesso físico, social e econômico a alimentos seguros, nutritivos e em quantidades suficientes para satisfazer suas necessidades nutricionais. Nesse sentido, há uma falha do Estado em efetivar tal conceito na nutrição de toda a população, haja vista a contradição entre a persistência da fome e a crescente obesidade, que resulta em um aumento da pressão sobre o Sistema Único de Saúde.
Primeiramente, é válido observar que a desigualdade social é refletida de diversas formas na alimentação brasileira. Isso porque, em decorrência da acelerada rotina proporcionada pelo sistema econômico vigente grande parte da população opta por alimentos de preparo rápido e baixo custo, que, em sua esmagadora maioria, são insuficientes em nutrientes, repletos de sódio, açúcar e gorduras levando, assim, a quadros de sobrepeso. Tal como demonstra o IBGE, aproximadamente 60% da população brasileira encontra-se obesa. Em contrapartida, há a conservação de quem não tem alimento suficiente, cerca de 10 milhões de pessoas ainda passam fome. Vê-se, pois, uma negligência governamental em garantir a ‘‘Segurança Alimentar’’ seja em quantidade, ou em qualidade.
Nessa circunstância, é notório que os impasses do sustento no país afetam a saúde pública uma vez que, a má nutrição pode acarretar diversos problemas como diabetes, hipertensão, disfunções cardíacas, entre outros. Dessa forma, o descaso com o artigo 196 da Constituição Federal - que garante a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde de forma isonômica - acentua a necessidade de destinação de recursos ao SUS o qual, ao ser insuficiente, tem sua qualidade e efetividade comprometida.
Portanto, diante das contradições em relação a nutrição e a responsabilidade governamental sobre o assunto, faz-se urgente a atenuação da problemática. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, a elaboração de campanhas de promoção de boa alimentação, com foco na informação aos riscos oferecidos a comidas ultraprocessadas. Com objetivo de conscientizar a população e, assim, prevenir futuras doenças. Além disso, cabe também à Anvisa, a criação de normas mais rigorosas sobre a quantidade de substâncias encontradas nos alimentos, especialmente o açúcar e o sódio. De forma a exigir embalagens mais claras e avisos aos riscos sobre o abuso, tal como as embalagens de cigarro. Desse modo, será possível promover ‘’Segurança Alimentar’’ a todos.