Os desafios relacionados à alimentação no Brasil
Enviada em 14/08/2021
Segundo dados do Vigitel (Vigilância de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) divulgados pelo Ministério da Saúde, a taxa de obesidade no Brasil subiu de 11,8% para 19,8% entre 2006 e 2018. Logo, infere-se que a população brasileira enfrenta dificuldades para manter hábitos alimentares saudáveis. Em vista disso, percebe-se que tanto o Fordismo Social quanto o massivo agronegócio nacional contribuem para esse crescente problema social e, assim, cabe discutir tais questões a fim de melhorar essa situação.
Em primeira análise, cabe apontar a priorização de interesses financeiros como obstáculo a ser superado. Em suma, após o fim da bipolaridade, causado pela vitória do capitalismo americano, adotou-se globalmente o modelo de produção, idealizado pelo empresário estadunidense Henry Ford, chamado fordismo social, que exige enorme rendimento dos trabalhadores. Dessa forma, grande parte do tempo diário que seria destinado ao lazer e a atividades familiares é consumido pelo trabalho. Em consequência disso, o momento da alimentação tornou-se uma “perda de tempo”, sendo, assim, economizado ao adotar-se o hábito de consumo de alimentos gordurosos e com pouco valor nutritivo. Assim, em troca de maior tempo livre, os brasileiros abrem mão de alimentos nutritivos, o que agrava o desafio à alimentação saudável no país.
Além disso, percebe-se que a supremacia da oferta de alimentos vegetais ricos em insumos químicos no país agrava a problemática. Isso se dá graças à ganância de latifundiários monocultores do Brasil que, segundo dados da Anvisa, quase triplicaram o uso de agrotóxicos nos últimos dez anos, a fim de obter o máximo de produtividade nas lavouras. Assim, graças a ingestão continua desses insumos presentes em inúmeros produtos ofertados nos mercados, é possível que haja um aumento da tendência nacional ao desenvolvimento de problemas de saúde na população. Dessa maneira, torna-se cada vez mais difícil manter hábitos alimentares saudáveis.
Portanto, faz-se imprescindível agir sobre a questão. Por isso, cabe à Anvisa, atrelada ao Ministério da Saúde, intensificar ações no setor do agronegócio, por meio da reavaliação do uso de agrotóxicos que não valham o prejuízo causado à saúde geral da população, a fim de que se tenha uma oferta mais saudável no mercado nacional, evitando possíveis doenças relacionadas ao consumo de insumos químicos. Alem disso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, promover, nas ecolas, palestras recorrentes sobre a importância de respeitar o momento da alimentação, a fim de que os indivíduos priorizem alimentos saudáveis em detrimento de fast-foods, indo, assim, de encontro à correria do dia a dia, a qual afeta negativamente a saúde dos brasileiros.