Os desafios relacionados à alimentação no Brasil
Enviada em 13/10/2021
No documentário “Super Size Me 2”, lançado em 2017 na plataforma Netflix, são denunciadas as diferentes estratégias da indústria norte-americana de alimentos para renovar sua imagem e ocultar a baixa qualidade de produtos vendidos em redes fast-food. Por exemplo, novos comerciais e propagandas promovem alimentos leves e saudáveis, mas vendem os mesmos produtos desde a década de 90. No Brasil, esse engano torna-se ainda mais preocupante, por um lado devido ao uso recorde de produtos agrotóxicos na indústria e agricultura, por outro devido ao consumos exclusivo desses alimentos pela expressiva população de baixa renda no país.
O referido uso recorde de produtos agrotóxicos no Brasil se dá pela aprovação da Anvisa, em 2020, de mais de 100 agrotóxicos para uso na agricultura e indústria. Essa questão foi relatada em diversos meios de comunicação durante o ano, que tornaram público o perigo desses produtos, após a morte de abelhas e à má formação no cérebro de bebês nos Estados Unidos e Europa. Assim, também frutas e verduras podem ser consideradas danosas à saúde no Brasil. Nesse sentido, o consumidor torna-se um objeto da indústria alimentícia, como reflete o filósofo alemão Theodor Adorno. Segundo o autor, a indústria faz crer que o consumidor é soberano em suas escolhas, quando, em realidade, é uma cobaia dos produtos oferecidos por ela. Dessa maneira, o cliente pode escolher os alimentos mais saudáveis, porém será refém dos mecanismos da idústria e da agricultura.
Além disso, deve-se levar em consideração a fração expressa da população brasileira que vive em situação de pobreza. Segundo o sociólogo brasileiro Jessé de Souza, essas pessoas podem ser consideradas “subcidadãs”, pois não têm acesso à educação, empregos dignos ou alimentação de qualidade, em parte devido à fragilidade econômica na qual se encontram. Por consequência, esse segmento da população irá recorrer a alimentos mais baratos, ricos em elementos tóxicos para consumo, contribuindo ainda mais para a subnutrição. Ainda segundo o autor, as instituições do Brasil devem resgatar essas pessoas dessa situação, levantando a necessidade de políticas que os protejam.
Assim, urge que as questões em relação à alimentação dos brasileiros sejam resolvidas. O Ministério da Agricultura deve impulsionar, por meio de incentivos públicos, um tratamento digno na produção de alimentos na agricultura e indústria brasileiras. O órgão deve enviar recursos para uso das empresas de produtos menos tóxicos, além de fiscalizar o uso. Somente assim, a população vulnerável terá acesso a alimentos de qualidade e poderá nutrir-se dignamente. Além disso, a população geral se libertará da situação de objeto da indústria e não será mais enganada pela mesma, aumentando a qualidade de vida de todos os brasileiros e brasileiras.