Os desafios relacionados à alimentação no Brasil
Enviada em 29/10/2021
Durante a década de 1940, o entendimento nacional acerca da fome era raso e limitante: fora considerado um processo natural e impossível de ser solucionado. No livro “Geografia da fome”, o sociólogo e geógrafo Josué de Castro analisou desde o processo de produção alimentícia até o aparecimento de doenças nos moradores, destacando as fomes coletivas, ou seja, aquelas que afetam grupos inteiros de pessoas. Da mesma forma que na obra, o Brasil atual é dotado de obstáculos referentes ao equilíbrio alimentar. Nesse sentido, é importante ressaltar os impactos dos latifúndios na produção de alimentos e os problemas de saúde acarretados.
Em primeiro lugar, é necessário evidenciar o papel das grandes propriedades agrícolas presentes no território brasileiro. Segundo dados do Censo Agropecuário Brasileiro, a extensão rural é diretamente proporcional ao uso de agrotóxicos - principais vilões presentes nos alimentos. Portanto, os latifúndios são responsáveis pela qualidade final dos produtos agrícolas consumidos pela população. Além disso, as políticas vigentes valorizam o mercado de exportação internacional, não se importando, dessa maneira, com a agricultura familiar que é, atualmente, o principal meio de produção dos chamados alimentos orgânicos.
Ademais, em segundo plano, o desequilíbrio nutricional causa a diminuição na qualidade de vida provocando doenças que afetam à população. Conforme o Guia Alimentar para a População Brasileira, os principais problemas que atualmente acometem os brasileiros deixaram de ser agudos e passaram a ser crônicos. Apesar de ser uma realidade diferente daquilo que Josué de Castro expôs em seu livro, em termos econômicos e sociais, outros fatores ganharam espaço na área da saúde: diabetes, hipertensão e a obesidade são alguns exemplos dos males que persistem na sociedade. Logo, evidencia-se a mudança dos hábitos para garantir uma melhora desse quadro negativo.
Portanto, faz-se imprescindível que o Ministério da Saúde - centralizador das políticas ligadas à alimentação brasileira - fomente a criação de feiras regionais, por intermédio da compra de legumes, vegetais e hortaliças produzido pelos agricultores familiares, com o objetivo de ampliar o consumo nutritivo e saudável dos cidadãos. Por conseguinte, o Congresso Nacional deve trazer em pauta a discussão da Reforma Agrária, com o fito de estabelecer novos pareceres do território brasileiro, uma vez que a acumulação de terras nas mãos de poucos é prejudicial para o desenvolvimento sustentável. Dessa forma, o Brasil pode se tornar um país com a “Geografia sem fome”.